Andando sobre o Mar (Mat 14:22-33).
O trecho proposto começa com uma ordem: “Ordenou Jesus”. A vida pôs morte ou a vida depois da ressurreição também se inicia com uma ordem: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mat 28:19,20).
O livro dos Atos dos apóstolos não foge desta regra, foi lhes dito pelo Senhor “que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes” (Atos 1:4). Depois agrega no verso 8 deste capítulo: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.”
Mas qual foi a ordem mencionas no início destas notas? A ordem tinha duas cláusulas. A primeira “entrar no barco”, em outras palavras sair daquele meio, daquele terreno que ocupavam. A segunda ir adiante para outro lado. Em outras palavras, tudo quanto pertencia àquela antiga ou atual posição, deveria ser abandonado.
Em outra escritura que Lucas registrou, o Espírito Santo o guiou a usar estes termos: “Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.
E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Luc 9:61,62).
São duas cláusulas pétreas da vida de fé, são cláusulas que não podem ser modificadas, alteradas. Pétrea vem de pedra, algo duro, consistente.
Pois bem, entre o destino designado pelo Senhor e eles havia o mar. No início da viagem, deduzimos pelo cenário do texto descrito, que o mar estava calmo, tranquilo. Mas quando o barco chega ao meio do mar o cenário sofreu mudanças drásticas. A calma aparente, agora é substituída por acoite das ondas e vento contrário.
O mar nas escrituras fala de nações e nações falam de conflitos. Mar agitado são nações em guerra; guerra neste cenário onde o Senhor está presente é guerra espiritual.
Como o salmo 2 pode ser encaixado aqui. Diz o salmista: “POR que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs?
Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo:
Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas” (Sal 2:1-3).
O mar está revoltado e neste tempo, como aconteceu naquele então, o Senhor está ausente, não está visivelmente no barco. Os discípulos estão com medo, mas Ele está nas alturas a orar a parte, sozinho.
Como soa suave aos ouvidos atentos aquelas doces palavras de Hebreus 2 e Hebreus 7. No primeiro o escritor apontou: “Convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.
Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Heb 2:17,18).
No segundo, escreveu assim: “Este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo.
Portanto, PODE TAMBÉM SALVAR PERFEITAMENTE OS QUE POR ELE SE CHEGAM A DEUS, vivendo sempre para interceder por eles.
Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” (Hen 7:24-26).
Então, aqueles discípulos estavam angustiados, por causa da tempestade no meio do mar, a qual lhes infundia medo e terror. Mas quando esta adversidade é manifesta o Senhor está no alto, no monte, orando, está só. E enquanto este mar está esbravejando sua fúria e força e causando desconforto e angústia aos passageiros do barco; e só eles viam e percebiam isto, o Senhor aparece andando calmamente, tranquilamente, por cima deste mesmo mar. A fúria e força do mar não O perturba, Ele é seu Criador e dominador.
Todo este cenário é símbolo do que ocorre neste mundo, neste próprio momento. Quantos homens dominados por demônios afrontam diariamente o seu Criador? Isto é o mar agitado, suas ondas, vento contrário.
Enquanto portam assim, o Senhor caminha tranquilo sobre o mar. A hostilidade, a rejeição não o detém em sua caminhada; ele está procurando pecadores angustiados, medrosos, que como Pedro, ao ouvir seu nome podem dizer: “Senhor se és tu manda-me ir ter contigo”. Pecadores que desejam sinceramente ter uma encontro com Ele e que como Pedro querem ter a experiência de “andar por cima das águas” (Mat 14:28) agitadas da vida.
Não sei a experiência nem a expectativa do leitor destas notas, mas sei que se estás no teus pecados está sob a servidão, a angústia e o medo. Você está e vive num mar agitado, nervoso.
O texto nos diz que o Senhor andou na quarta vigília da noite. Naquele então, o dia e a noite eram divididos em períodos distintos. Naquele tempo os evangelistas registraram momentos que caracterizam a duração do dia assim: “Saindo perto da HORA TERCEIRA... Saindo outra vez, perto da hora SEXTA E NONA... saindo perto da HORA UNDÉCIMA (Mat 20:3,5,6).
A noite também era dividida em quatro vigílias. A primeira (18 as 21 horas); a segunda (21 as 0 horas); a terceira (0 as 3 horas) e a quarta (3 as 6 horas). Então o Senhor na quarta vigília se dirigiu a eles.
A tempestade não foi breve, não sabemos sua duração, mas sabemos pelo verso 23 que a tarde chegou, que o Senhor estava só e que o barco já estava no meio do mar, açoitado pelas ondas(v 24).
Então o Senhor chegou na quarta vigília, isto simboliza o seu retorno. Ele prometeu voltar outra vez: “E quando eu for, e vos preparar lugar, VIREI OUTRA VEZ, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (Jo 14:3). Três vezes no capitulo dezesseis de João o Senhor repetiu a frase: “outra vez um pouco, e ver-me-eis” (vs 16,17,19) e no verso 22 deste mesmo capitulo, o Senhor diz: “Vós agora, na verdade, tendes tristeza; MAS OUTRA VEZ VOS VEREI, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.”
Pois, bem, o momento é difícil, é de provas, mas Suas promessas permanecem. No último capítulo da bíblia temos mais esta promessa: “E, eis que cedo venho, e o meu meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” (Apoc 22:12).
Por isso devemos lembrar sempre que o Senhor está sobre todas estas circunstâncias, Ele domina sobre tudo. Todo poder foi dado a Ele. Por enquanto Ele está buscando e procurando salvar o perdido. O tempo virá quando quando isto será mudado. Hoje Ele é o Salvador, mas breve será o Juiz; escreveu Lucas: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;
Porquanto TEM DETERMINADO UM DIA EM QUE COM JUSTIÇA HÁ DE JULGAR O MUNDO, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17:30,31).
Voltando a Mateus 14, alguns acontecimentos narrados ali, ensinam lições preciosas para nós nestes dias de ruína.
Os discípulos naquele cenário angustiante, apavorados, ao verem alguém andando sobre o mar, sobre as agitadas ondas, diz Mateus que eles assustados disseram: é um fantasma.E gritaram com medo (v 26).
Podemo-nos admirar deles? De forma nenhuma. Não fazemos o mesmo nestes dias? Quantas desculpas usamos para nossos fracassos! Às vezes atribuímos aos outros a culpa pela nossa incredulidade, nossos insucessos. Às vezes nos apoiamos na muleta das nossas fraquezas, e elas são responsabilizadas pela nossa má conduta. Assim somos nós, a estratégia do Eden continua viva em nossos corações. “A mulher que tu me deste” (Gên 3:12) é a culpada.
Eu sei que não usamos a frase tal como transcrita acima, mas o argumento é o mesmo, a desculpa a mesma e se fizermos uma análise profunda do termo, veremos que mudamos as palavras, dizemos a mesma coisa. Paulo não usou desta desculpa, ao escrever aos coríntios disse: "Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte" (2 Cor 12:10).
Precisamos aprender da sabedoria do Espirito Santo como temos em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”; e de 1 Coríntios 10:11,12: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.
Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.”
É verdade que o estado aparente deste mundo impõe medo. De um lado temos exemplificado pelas ondas bravias, o mundo, suas instituições, seus instrumentos. Do outro temos a falsa profissão, a falsa religião. O conselho das escrituras para isto é: “Destes afasta-te” (2 Tim 3:5). Não há outra coisa a fazer, senão seguir esta instrução. No capítulo anterior o apóstolo já tinha dito: “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2 Tim 2:19).
Contudo no meio de toda apreensão, desconforto que o momento trouxe, apareceu um que se superou; estou falando de Pedro. Dele já me referi acima quando disse: “Senhor se és tu mesmo”. Na continuação da sua pergunta ele vai mais longe: ele quer também ter poder para andar sobre as águas. Que intenção preciosa! Que haja mais dela no escritor e no leitor destas notas; no entanto, na sua experiência vemos onde podemos chegar.
No mesmo instante que deseja ir ao Senhor, quando se põe a caminhar, em vez de fixar seus olhos no Senhor, os fixa no vento: “sentindo o vento forte, teve medo” (Mat 14:30). Qual foi o resultado? Não poderia ser outro: “começou ir para o fundo”. Não é diferente comigo e contigo. Se tirarmos os olhos do Senhor e os fixarmos nas circunstâncias iremos para o fundo, sem dúvidas. Não há um lugar intermediário, aprendamos está lição e a assentamos no trono do nosso coração. Assim foi com Pedro e conosco também.
Há um corinho que diz assim:
“Crentes, olhai para Cristo,
Que sobre a cruz morreu!
Pois Ele agora está vivo:
Vive por vós no céu!” (H. C. 755).
É somente isto que precisamos fazer quando a tormenta chegar. O Senhor está andando sobre tudo. Como diz Hebreus 1:3 Ele sustenta todas coisas pela palavra do seu poder. Nada pode ser escondido dEle e nada está além dEle, o que devemos fazer está no coro deste hino: “É confiar, sim, e obedecer” (H. C. 314).
Felizmente Pedro gritou: “Senhor, salva-me! Outra lição importante temos aqui, o remédio para todas as nossas necessidades é o Senhor Jesus Cristo.
Assim foi nos dias passados, nos dias de Eliseu. Havia morte na panela e alguns entre aqueles discípulos percebeu e gritaram: “Homem de Deus, há morte na panela... Porém Eliseu disse: Trazei farinha. E deitaram na panela e não havia mais mal nenhum na panela.
A farinha é figura do Senhor Jesus, da Sua humanidade, como descrito na oferta de alimentos. Onde enchermos dEle não pode haver nem haverá mal algum. Aprendamos esta receita e façamos uso dela no cozimento dos nossos alimentos. A vida será muito mais saudável e teremos mais alegria e gozo no viver.
Depois lemos que o Senhor, após o clamor de Pedro estendeu sua mão e segurou-o. Provisão sempre atenta, presente e instrutiva nos momentos mais difíceis. O Senhor segurou Pedro, entretanto, o Senhor também disse a Pedro: “Homem de pouca fé, por que duvidaste? São lições após lições ministradas para nossa instrução, lições que necessitamos aprender.
Porque duvidaste? Que pergunta solene? Como temos nos comportado em relação aos cuidados do Senhor, nas provações a que somos expostos? Aprendemos como a experiência de Pedro ou continuaremos duvidando?
O resultado é que quando subiram ao barco o vento acalmou (v 32). Assim será sempre. Com o Senhor no barco andaremos tranquilamente sobre as tempestades da vida. Que Ele nos dê mais de Si mesmo enquanto caminhamos aqui.
Amém.
JCarneiro.
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