O Cristão e a Política.
Tem o cristão parte na política?
“O que a Palavra de Deus ensina sobre a posição de um cristão, quando é
convocado a votar numa eleição?”
Pode ser que você se surpreenda
se lhe dissermos que esta pergunta toca os mesmos fundamentos do cristianismo.
Perguntamos-lhe, querido leitor: a que mundo pertence o cristão? Pertence a
este mundo ou ao mundo de cima? Sua cidade está na terra ou no céu? Está ele
“morto para o mundo” ou está “vivo nele?” Se ele fosse um cidadão deste mundo;
se seu lugar, sua porção e seu lar estivessem aqui embaixo, então, seria absolutamente
normal e aceitável, se envolvesse ativamente nos “assuntos e negócios deste
mundo”. Se ele fosse um cidadão deste
mundo, de fato, deveria votar nos candidatos a vereadores do município ou nos
candidatos a membros do congresso nacional; e ainda, num candidato a prefeito
do município, ao governo do estado e noutro a presidência da república; deveria
fazer todos os esforços possíveis para tentar eleger o homem correto para o
lugar adequado, seja na câmara municipal, no congresso nacional ou para o poder
executivo. Deveria dedicar todos os seus esforços e meios ao seu alcance, para
melhorar e regular o mundo. Se, em uma palavra, ele fosse um cidadão deste
mundo deveria com o melhor de suas capacidades, desempenhar as funções
pertencentes a tal posição.
Mas, se por outro lado, é verdadeiro
que o cristão está “morto” para o mundo; se sua “cidade está nos céus”, se seu
lugar, sua porção e seu lar estão no alto; se ele é, apenas, um “estrangeiro e
peregrino” aqui embaixo, então, segue-se que ele não é chamado a envolver-se de
maneira nenhuma com a política deste mundo. Foi chamado a seguir seu caminho de
peregrino, “submetendo-se, pacientemente, a toda instituição por causa do
Senhor”, prestando obediência às “autoridades” estabelecidas por Deus, e orando
“por todos os que estão em eminência”, a fim de serem guardados, e para que
possam desempenhar bem suas funções.
Contudo, você poderá perguntar
enfaticamente: “O que ensina a Palavra de Deus” sobre este ponto? Uma pergunta
sumamente importante. “Que, pois, diz a Escritura?” (Rom. 4:3) Uma passagem ou
duas será suficiente para explicar isto. Ouçamos o que diz o Senhor quando
dirige ao Pai em referência “aos que estavam no mundo” (João 13:1): “Eu lhes
tenho dado a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim
como eu não sou do mundo. Não peço que os tire do mundo, mas que os livres do
mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou” (João 17: 14-16). Ouçamos também o inspirado apóstolo sobre este
mesmo tema: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o
exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. Porque muitos há, dos quais
muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz
de Cristo. Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para
confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade (Grego:
Politeuma) está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus
Cristo” (Filip. 3:17-20). E de novo lemos também na epístola aos Colossenses:
“PORTANTO, se já ressuscitaste com Cristo, buscai as coisas que são de cima,
onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima,
e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está
escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo que é a nossa vida, se manifestar,
então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Col. 3:1-4).
Há quem diga, entretanto, que as
escrituras citadas não se aplicam mais hoje; que “o mundo” de João 17, não é o
mundo de nosso presente século; que o de então era um mundo pagão, enquanto que
o mundo destes dias é um mundo cristão. A todos os que assumem esta posição,
não temos nada que dizer-lhes. Se o ensino do Novo Testamento estava planejado
somente para a época passada; se somente foi efetivo para as coisas passadas, e
não tem aplicação para as coisas presentes, então não podemos saber seguramente
onde estamos parados, nem onde procurar socorro, para achar um guia ou
autoridade. Mas, graças a Deus, contamos com um guia e, portanto, plenamente
suficiente para todas as épocas, para todos os tempos e para todas as
condições. Se, pois, temos de ser guiados unicamente pelas escrituras, esta em
nenhuma parte nos autoriza a comprometer-nos com a política deste mundo.
Estamos identificados com Ele. Ele é nosso Modelo. Se Cristo estivesse aqui,
encontraria seu lugar fora dos limites deste mundo. Não veríamos a Cristo na
secção do conselho municipal, nem no tribunal, nem na câmara legislativa, e nem
com armas em sua mão.
Quando esteve aqui entre nós,
quiseram fazer-lhe rei numa ocasião, mas Ele retirou-se só para o monte (João
6:15). Em outra oportunidade, perguntou a certo homem: “Homem, quem me pôs a
mim por juiz ou repartidor entre vós?” (Lucas 12:14). Nosso Senhor não se
envolveu com nenhum cargo neste mundo; apenas cumpriu sua honrosa missão em
glorificar a Deus e salvar o que havia perdido (João 17: 4; Lucas 19:10).
Brevemente, ele empunhará o cetro, desembainhará a espada e tomará as rédeas do
governo em suas mãos (queira Deus que esse dia chegue logo!). Mas agora Ele é
rejeitado, e nós somos chamados a participar da sua rejeição. Como cristãos,
nossa senda neste mundo é a da obediência, e do sofrimento. Somos chamados a
orar “por todos os que estão em eminência” (I Tim. 2:1,2), mas não estar, nós
mesmos, no lugar de autoridade. Não há uma só linha das escrituras que me guie
para envolver nas eleições, seja como membro político, ou seja, de que modo
for. Por esta razão, se eu atuar sob qualquer destes aspectos, ou estarei sem
uma só palavra de direção do meu Senhor, ou pior ainda, estaria atuando de uma
maneira totalmente oposta a Ele, e em direta oposição ao espírito e ao ensino
do Novo Testamento.
Queira Deus fazer-nos mais fiéis
a Cristo! Que sejamos libertados
completamente de coração e espírito, deste “presente século mau”, e também
capacitados para prosseguir, com santa determinação, nossa senda peregrina ao
longo das areias do deserto deste mundo.Sabemos perfeitamente que o que temos
escrito sobre este tema será desagradável e impopular, mas isto não nos
impedirá de falar a verdade, como tampouco, nos impedirá de atuar conforme a
mesma verdade.
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