quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Cristão e a Política



O Cristão e a Política.

Tem o cristão parte na política?

“O que a Palavra de Deus ensina sobre a posição de um cristão, quando é convocado a votar numa eleição?”

Pode ser que você se surpreenda se lhe dissermos que esta pergunta toca os mesmos fundamentos do cristianismo. Perguntamos-lhe, querido leitor: a que mundo pertence o cristão? Pertence a este mundo ou ao mundo de cima? Sua cidade está na terra ou no céu? Está ele “morto para o mundo” ou está “vivo nele?” Se ele fosse um cidadão deste mundo; se seu lugar, sua porção e seu lar estivessem aqui embaixo, então, seria absolutamente normal e aceitável, se envolvesse ativamente nos “assuntos e negócios deste mundo”.  Se ele fosse um cidadão deste mundo, de fato, deveria votar nos candidatos a vereadores do município ou nos candidatos a membros do congresso nacional; e ainda, num candidato a prefeito do município, ao governo do estado e noutro a presidência da república; deveria fazer todos os esforços possíveis para tentar eleger o homem correto para o lugar adequado, seja na câmara municipal, no congresso nacional ou para o poder executivo. Deveria dedicar todos os seus esforços e meios ao seu alcance, para melhorar e regular o mundo. Se, em uma palavra, ele fosse um cidadão deste mundo deveria com o melhor de suas capacidades, desempenhar as funções pertencentes a tal posição.

Mas, se por outro lado, é verdadeiro que o cristão está “morto” para o mundo; se sua “cidade está nos céus”, se seu lugar, sua porção e seu lar estão no alto; se ele é, apenas, um “estrangeiro e peregrino” aqui embaixo, então, segue-se que ele não é chamado a envolver-se de maneira nenhuma com a política deste mundo. Foi chamado a seguir seu caminho de peregrino, “submetendo-se, pacientemente, a toda instituição por causa do Senhor”, prestando obediência às “autoridades” estabelecidas por Deus, e orando “por todos os que estão em eminência”, a fim de serem guardados, e para que possam desempenhar bem suas funções.

Contudo, você poderá perguntar enfaticamente: “O que ensina a Palavra de Deus” sobre este ponto? Uma pergunta sumamente importante. “Que, pois, diz a Escritura?” (Rom. 4:3) Uma passagem ou duas será suficiente para explicar isto. Ouçamos o que diz o Senhor quando dirige ao Pai em referência “aos que estavam no mundo” (João 13:1): “Eu lhes tenho dado a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou” (João 17: 14-16).  Ouçamos também o inspirado apóstolo sobre este mesmo tema: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade (Grego: Politeuma) está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filip. 3:17-20). E de novo lemos também na epístola aos Colossenses: “PORTANTO, se já ressuscitaste com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Col. 3:1-4).

Há quem diga, entretanto, que as escrituras citadas não se aplicam mais hoje; que “o mundo” de João 17, não é o mundo de nosso presente século; que o de então era um mundo pagão, enquanto que o mundo destes dias é um mundo cristão. A todos os que assumem esta posição, não temos nada que dizer-lhes. Se o ensino do Novo Testamento estava planejado somente para a época passada; se somente foi efetivo para as coisas passadas, e não tem aplicação para as coisas presentes, então não podemos saber seguramente onde estamos parados, nem onde procurar socorro, para achar um guia ou autoridade. Mas, graças a Deus, contamos com um guia e, portanto, plenamente suficiente para todas as épocas, para todos os tempos e para todas as condições. Se, pois, temos de ser guiados unicamente pelas escrituras, esta em nenhuma parte nos autoriza a comprometer-nos com a política deste mundo. Estamos identificados com Ele. Ele é nosso Modelo. Se Cristo estivesse aqui, encontraria seu lugar fora dos limites deste mundo. Não veríamos a Cristo na secção do conselho municipal, nem no tribunal, nem na câmara legislativa, e nem com armas em sua mão.

Quando esteve aqui entre nós, quiseram fazer-lhe rei numa ocasião, mas Ele retirou-se só para o monte (João 6:15). Em outra oportunidade, perguntou a certo homem: “Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?” (Lucas 12:14). Nosso Senhor não se envolveu com nenhum cargo neste mundo; apenas cumpriu sua honrosa missão em glorificar a Deus e salvar o que havia perdido (João 17: 4; Lucas 19:10). Brevemente, ele empunhará o cetro, desembainhará a espada e tomará as rédeas do governo em suas mãos (queira Deus que esse dia chegue logo!). Mas agora Ele é rejeitado, e nós somos chamados a participar da sua rejeição. Como cristãos, nossa senda neste mundo é a da obediência, e do sofrimento. Somos chamados a orar “por todos os que estão em eminência” (I Tim. 2:1,2), mas não estar, nós mesmos, no lugar de autoridade. Não há uma só linha das escrituras que me guie para envolver nas eleições, seja como membro político, ou seja, de que modo for. Por esta razão, se eu atuar sob qualquer destes aspectos, ou estarei sem uma só palavra de direção do meu Senhor, ou pior ainda, estaria atuando de uma maneira totalmente oposta a Ele, e em direta oposição ao espírito e ao ensino do Novo Testamento.

Queira Deus fazer-nos mais fiéis a Cristo!  Que sejamos libertados completamente de coração e espírito, deste “presente século mau”, e também capacitados para prosseguir, com santa determinação, nossa senda peregrina ao longo das areias do deserto deste mundo.Sabemos perfeitamente que o que temos escrito sobre este tema será desagradável e impopular, mas isto não nos impedirá de falar a verdade, como tampouco, nos impedirá de atuar conforme a mesma verdade.

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