SEU LOUVOR ESTARÁ CONTINUAMENTE NA MINHA BOCA (Salmo 34:1)
(Filipenses 4)
No
terceiro capítulo da epístola aos Filipenses vemos a energia espiritual que
impulsiona o santo em sua careira para Cristo na glória.
Este capítulo trata principalmente sobre o poder que confere ao santo uma
completa superioridade sobre todas as circunstâncias pelas que tenha que passar,
contudo, não tornando-o insensível às suas aflições, mas capaz de "regozijar-se
sempre no Senhor ".
Nada é mais instrutivo e ao mesmo tempo humilhante, neste sentido, que a
vida do apóstolo Paulo que, depois de ver-se privado do ministério que tanto
amava, ficou recluído em um cárcere em Roma, apesar de haver trabalhado "mais
que todos eles" (1.ª Coríntios 15:10). E o que encontramos no curso dos
gloriosos resultados produzidos por seu ministério, é isto: " Todos os que
estão na Ásia me abandonaram", e também: "Todos buscam o que é seu próprio,
não o que é de Cristo Jesus" (2.ª Timóteo 1:15; Filipenses 2:21). Não
obstante isso podia dizer: "Regozijai-vos sempre no Senhor; Outra vez
digo, Regozijai-vos." (Filipenses 4:4).
É
certo que no caminho iremos encontrar muitas dificuldades e lutas, pois Satanás
ainda não está atado. Quanto mais avançarmos, mais oposições encontraremos;
como pesares na Igreja, no individuo, e nos santos que não andam dignos da sua
vocação. Todas estas coisas desanimam nosso coração, mas devemos agarrar-nos ao
poder que eleva o coração por cima de tudo isso; e lançar mão da comunhão e da
fé que liga o coração a Cristo e que anda com ele. Se tivermos poder para
servir também a outros, venha o que vier, permaneceremos firmes.
Cristo - "o Varão de dores" (Isaías 53:3) - foi o exemplo do
que temos dito. Quem esteve tão disposto a servir como ele? Escutemos-lhe:
"Eu tenho uma comida que comer que vós não conheceis" (João 4:32). Recordemos
de Marta, a quem amava, como quis tirar Maria de Seus pés, quando ela ouvia sua
Palavra (Lucas 10:40-42). Seus discípulos procuraram detê-lo quando Ele lhe
falou de Sua morte. Eles não entenderam o que significava "dar sua vida em
resgate de muitos" (Mateus 20:28). No entanto, no meio de tudo isso, o
Senhor Jesus rogou aos seus discípulos que tivessem Seu gozo completo em si
mesmo (João 17:13).
Se, realmente, tivermos este gozo de Cristo, podemos dizer: "Tudo
sofremos por amor dos escolhidos" (2.ª Timóteo 2:10), devido ao fato que estamos em espírito com ele e ele conosco em
tudo. E ele suportou tudo "pelo gozo que lhe estava proposto”, sofrendo
até a cruz.
Não se trata da mera alegria de um coração que ignora o poder do mal e a
oposição de Satanás. Muitos experimentam este gozo efêmero, que não vai mais
além da superfície das coisas. Porém o verdadeiro
poder consiste em discernir a profundidade do mal e a oposição do inimigo,
e em aprender a conhecer e a confiar no poder do Senhor, como um poder que está acima de tudo.
O
que atualmente opera é “o poder do bem - de Deus mesmo - no meio do mal”; e
este poder é superior ao mal, no meio do qual opera. É certo que a corrente do
mal cresce vigorosamente, e que, se não é contida arrasará tudo até desembocar
no oceano do juízo, a menos que o Senhor intervenha, como o faz em bondade e
misericórdia, ou em juízo e castigo.
Mas o caráter do mundo até que
Satanás seja amarrado, é este: ele é seu deus e príncipe; e no meio de um mundo
em que Satanás é príncipe, o poder de Cristo está presente e é sobre tudo.
Se
minha alma vive mesmo no centro deste poder, sentirá a pressão do mal, mas não
ficará deprimida: "Em nada vos espanteis dos que resistem"
(Filipenses 1:28). As provisões de poder para a vida prática de cada dia
dependem de que o coração esteja nAquele que tem vencido tudo, que tem todo
poder no céu e na terra (Mateus 28:18). Assim, pois, em Cristo conheceremos o
verdadeiro e seguro lugar de repouso, que nada e nem ninguém pode perturbar. É
verdade que temos que seguir trabalhando, como está escrito:
"Esforcemo-nos, pois, para entrar naquele descanso" (Hebreus 4:11). Mas,
se o coração está ocupado com Aquele que está em tal repouso, então conta com
um poder que está fora do alcance de tudo.
A primeira grande característica deste
poder, quando se levanta a maré do mal é a paciência.
O fato de "perseverarmos até o fim" é mais excelente que um milagre!
Aprendemos assim da graça e do poder que guardam o coração livre para pensar no que Cristo tem feito em outros; para
estar ocupado com toda a Igreja, e ainda para pensar em todas as condições
sociais, como a de um escravo em relação com seu amo (Filemom).
Os
afetos de Paulo por seus "companheiros de julgo" (Filipenses 4:3)
eram vivos, como se todos não o houvessem "desamparado"; e ainda
quando todos buscavam "o que era seu próprio" (Filipenses 2:21), isso
não impedia em absoluto que o coração do apóstolo incluísse a todos.
Está
nossos corações ocupados com Cristo o suficiente para pensar assim de um irmão?
O coração de Paulo vivia de tal modo com Cristo - consciente do que significa
ser Seu - que quando pensava em algum irmão, o fazia, pensando em alguém cujo
nome se achava escrito "no livro da vida!” Em outra parte diz: "Estou
perplexo a vosso respeito" (Gálatas 4:20); Mas, no capítulo seguinte,
acrescenta: "Eu confio de vós no Senhor" (Gálatas 5:10).
"Bem-aventurado o homem... em cujo coração estão os teus
caminhos" (Salmo 84:5). Para o salmista, o segredo de tudo consistia em
fazer das tristezas uma "fonte". "Atravessar o vale de
lágrimas", e transformá-lo em uma "fonte" segura. A bênção do
alto, onde Cristo está, enche os tanques (v. 6).
A
história do apóstolo é muito importante a este respeito. Estando na prisão,
encarcerado entre dois soldados, mas, naturalmente, confiado mais do que nunca
no Senhor (que nunca lhe privou da Sua graça), Paulo, venha o que vier,
aprendeu a "regozijar-se", não na prosperidade de sua obra, nem na da
Igreja, nem na dos santos, mas em regozijar-se "sempre no Senhor"
(Filipenses 4:4).
Que santo, profundo e verdadeiro sentimento, segundo Cristo, experimenta
nestas provas! Como diz o salmista: "Bendirei o Senhor em todo tempo; Seu louvor estará de contínuo na minha boca"
(Salmo 34:1). Como se consegue isto? "Clamou este pobre, e o Senhor o
ouviu" (Salmo 34:6). Jeová era seu pastor, pelo que podia dizer:
"Nada me faltará”. Não disse: «Tenho deliciosos pastos», mas sim:
"Nada me faltará", porque Jeová era seu pastor. "Refrigera a
minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome”. Preparas
uma "mesa diante de mim, na presença dos meus inimigos". Unges
"a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Certamente que a
bondade e a misericórdia me seguirão
todos os dias da minha vida, e habitarei na casa de Jeová por longos dias"
(Salmo 23).
Paulo, diante do rei Agripa, disse: "Quisera Deus que, por pouco ou
por muito, não somente tu, mas também todos os que hoje me ouvem, fossem feitos
tais qual eu sou, exceto estas
cadeias!" (Atos
26:29). Não disse: “Queria que
todos fôsseis cristãos”, mas: "Tais
qual eu." Eis aqui um homem feliz, tão consciente da bem-aventurança
que tinha em Cristo, tão pleno do amor de Cristo, que podia desejar que todos
fossem como ele! A plena e entranhável felicidade do seu coração era tal que as
provas - provas ainda na Igreja, as quais eram muito mais profundas e tangíveis
- não faziam mais que conduzi-lo a Cristo.
Estamos tão conscientes desta bem-aventurança em Cristo, capacitados
para dizer aos outros: “Quisera que fôsseis tais qual eu sou”? Acaso somente um
apóstolo podia dizer isto? De nenhuma maneira; todo cristão, jovem ou velho é chamado a fazê-lo. A única diferença
é que um cristão jovem tem mais gozo em si mesmo e em suas bênçãos, tem um
bem-aventurado consolo em si mesmo.
Enquanto que os pais têm seu gozo, simplesmente em Cristo. Eles têm aprendido a conhecer a Cristo; tem uma relação
pessoal com o Senhor Jesus Cristo e gozam de uma intimidade com ele. Os jovens
regozijam-se em seus primeiros sentimentos, carregados de emoção. É bom e certo
o que Deus nos tem dado; mas em nossa marcha através do mundo encontraremos
que, efetivamente, não há nada em que nos regozijarmos, fora do Senhor Jesus
Cristo.
O
poder para fazer disto uma realidade consiste, precisamente, em buscar a
presença de Cristo; de modo que quando o mal brote e o poder de Satanás estiver
em ação, o coração esteja em comunhão com Ele no poder da sua ressurreição, que
aniquilou "o que tinha o império da morte" (Hebreus 2:14); em
comunhão com Aquele cujo braço santo e poderoso lhe deu a vitória. O Senhor Jesus
disse: "Tende bom animo, eu venci o mundo" (João 16:33). Ele nos põe
em marcha com este testemunho, havendo ido Ele mesmo a um lugar onde o mal não
tem nenhuma capacidade; e aí conhecemos a Cristo, a fonte inesgotável de bênção, e aí também nos regozijamos nEle. Ele não nos tirou deste mundo
governado pelo poder de Satanás, mas nos guarda do mal, por que não somos do
mundo, como Ele não é do mundo.
Os
santos quando correm a carreira, devem olhar para Jesus, que começou e terminou
toda a carreira da fé, desbaratando o poder de Satanás, tanto no principio como
no fim. "Tentado em tudo segundo nossa semelhança, porém sem pecado"
(Hebreus 4:15). Cristo destruiu por meio da morte o que tinha o império da
morte, isto é, o diabo, e se assentou á destra da Majestade nas alturas - o que
representa a vitória ganha - (Hebreus 2:14; 1:3).
Nós, hoje, devemos regozijar em Cristo nos mais altos céus, e isto, independentemente
das circunstâncias pelas quais estejamos passando. Estas não devem cativar
nossa atenção. Não desviemos nosso olhar do Senhor para dirigi-lo ás circunstâncias
presentes, mas regozijemo-nos! Não em nós mesmos - de nenhuma maneira - mas em Cristo sempre!
Porém, para fazer disto uma realidade, você deve estar com Ele em
espírito, porque somente Cristo está absolutamente fora do mal e é o centro e a
fonte do bem. E o que deveras ver-se-á aqui embaixo em você é sua
"gentileza" ou, para expressar melhor o sentido do original, sua “facilidade
em ceder ou em condescender” (Filipenses 4:5). Explicarei o significado do
termo. Suponha que sou feliz em Cristo, devo então estar reclamando meus
direitos neste mundo? Cristo não teve nenhum direito aqui! Oh, não! Meu tesouro
está em outro lugar. Estamos como que saindo do mundo - prestes a partir -
devemos, pois, no que respeita a nossos direitos, aguardar até que Cristo
obtenha os seus. Oxalá que nossos corações sejam desmamados das coisas daqui de
baixo e que passemos por este mundo como filhos desmamados! Cristo passou por
este mundo deixando que todas as coisas sigam seu próprio curso. Na presença da
injustiça o espírito tem tendência a elevar-se em som de protesto; porém o que
devemos cultivar é a submissão que cede,
que condescende. Os samaritanos não quiseram receber o Senhor, e ele então se
dirigiu para outra aldeia. Oh, que lição temos aqui! Foi assim porque
"havia manifestado em seu rosto o firme propósito de ir a Jerusalém"
(Lucas 9:51).Os zombadores não quiseram recebê-lo, porque ele fazia
precisamente o que indicava sua devoção ao Pai; e o mesmo ocorrerá com você. Os religiosos, os zombadores
não te irão receber, se você alçar seu
rosto para andar em retidão!
"Perto está o Senhor!" (Filipenses 4:5). Ele nos ensinou que
devemos esperá-lo, que devemos ser sempre "semelhantes a homens que
aguardam ao seu Senhor" (Lucas 12:36).
"Não estejais inquietos de coisa alguma; antes as vossas petições
sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplica com ação de
graças" (Filipenses 4:6). A paz de Deus é melhor que todos nossos afãs. É
certo que temos ansiedades e aflições, e as teríamos em maior medida se
vivêssemos realmente como servos no meio das penas deste mundo, não indiferentes,
pois Cristo jamais o foi. Porém quando há um distanciamento de Cristo em meu
coração, uma tendência a inquietar-me, ainda que seja em cuidado pelos demais; devo
dizê-lo a Deus; isso então me eleva
por cima das preocupações, de maneira tal, que posso regozijar-me nele.
O
que Deus dá ao coração que lança toda sua ansiedade sobre Ele? Será uma simples
resposta? Não (ainda que saibamos que Ele prova), mas sua paz! Está o coração de Deus restrito ás circunstâncias? Está
turbado por elas? Está sacudido seu trono pela insensatez e pela maldade do
mundo ou ainda pelos fracassos dos santos? Jamais! Lancemos, pois, todas as nossas ansiedades
sobre Deus, e Ele porá sua paz em nosso coração, a inefável paz de Deus! Aquele
que conhece o fim desde o principio, em cuja paz vive e se move, guardará
nossos corações e nossos pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4:7). Aqui não
há indiferença, nem negligencia, nem frialdade, mas "petições",
súplicas ferventes, e tudo "com ações de graças".
Um
homem cujo coração está pleno de ação de graças, e que conta com Deus, recorre
a Ele em toda oração e súplica, e uma vez que deixou tudo nas mãos de Deus, a
alma sente Sua mão nas dificuldades e penas, e pode dizer: “É assunto Seu, não
meu”. Este é um homem feliz, um homem
que caminha por este mundo nessa bendita comunhão com Cristo, no poder do
Espírito de Deus, para seu gozo interior e para enfrentar as circunstâncias
exteriores, e seus afetos não encontram obstáculos para chegar a todos os seus
irmãos.
"No demais, irmãos meus, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é
honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que amável, tudo o que é
de boa fama; se há alguma virtude, se há algo digno de louvor, nisso
pensai" (Filipenses 4:8). Trata-se de possuir corações que estejam livres
para poder encontrar o que é bom nas
pessoas. O Senhor Jesus podia encontrar a menor partícula de graça em uma pobre
alma. Seu coração sempre estava disposto a desfrutar disto. "Eu tenho uma
comida que comer, que vós não conheceis." "Maria escolheu a boa
parte." "Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo"
(João 4:32; Lucas 10:42; João 1:47). Sempre se tem esta percepção quando o
coração está livre para ter gozo do fruto do Espírito nos outros, enquanto
estamos ocupados com o que é bom.
Não se pode tocar no alcatrão sem sujar-se, e nestes dias, há muito
alcatrão. Ao pensar como o mundo, ao
falar como o mundo, o coração manifesta
uma combinação mundana. Isto não é de
Cristo! O coração libertado vive no que compraz o coração de Cristo. Oh,
isto faz toda a diferença! É questão de viver no ambiente onde reside o coração
de Cristo, em vez de ser arrastado atrás de milhares de outras coisas.
"O que também aprendestes e recebestes e ouvistes e vistes em mim,
isto fazei; e o Deus de paz será convosco" (Filipenses 4:9). Não só Sua paz estará conosco - tal como no v. 7 -,
mas Ele mesmo. Que benção se encontra
nesse título que Deus atribui tantas vezes a si mesmo! Ele nunca se nomina “o
Deus do gozo”. O gozo é algo que sobe e desce, e que pode ser perturbado. Pode
haver motivos de gozo, mas as dificuldades podem impedir que o coração o
desfrute. A paz é algo duradouro que
nada pode perturbar. É serena como o trono de Deus.
“E o Deus
de paz seja com todos vós. Amém” (Romanos 15:33).
"E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés"
(Romanos 16:20).
"E o Deus de paz estará convosco" (Filipenses 4:9).
"E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo" (1.ª Tessalonicenses
5:23).
"E o Deus de paz... vos aperfeiçoe" (Hebreus 13: 20,21).
A
paz é o resultado de uma obra completa e perfeita. Cristo fez a paz
"mediante o sangue da sua cruz (Colossenses 1:20). E por que? Porque
passou por tudo o que era contrário a Deus: sofreu a ira de Deus - justamente o
contrário à paz – e, depois de ressuscitado apareceu no meio dos seus
discípulos e disse-lhes: "Paz"! E Deus agora se manifesta a nós
mediante este bendito e maravilhoso título: "O
Deus de paz”.
Possui seu coração esta paz? Se Deus é por nós, com todos os atributos
que possui, pode algo perturbar esta paz? Eu posso dizer diante de Deus: “Estou
na luz, como Deus está na luz, porque o sangue de Jesus Cristo seu Filho me
limpa de todo pecado”. Posso ter conflito com o eu, com o mundo e com Satanás;
mas Deus me introduz nessa paz que nada pode perturbar. Sua paz flui como rio.
Para poder regozijar sempre no Senhor é necessário a fé. Os pés precisam
caminhar por onde Deus quer que caminhem, não simplesmente evitando o mal, mas andando por onde Ele nos indique em todos
os detalhes da vida: em nossos hábitos, vestimentas, conversações, relações
pessoais, etc. Nada prova melhor a condição do estado de nossa alma, do que os hábitos cotidianos.
"Tudo posso em Cristo que
me fortalece" (Filipenses 4:13). Não é o mesmo que dizer: “Cristo me
fortalece” é mais do que isto: "Tudo
posso." Paulo havia aprendido
isto. Foi algo bendito e maravilhoso saber que Cristo era suficiente para ele.
O apóstolo havia aprendido a "viver humildemente" e a "ter abundância"
(e este último é o mais difícil, pois a abundância tem a tendência em afastar o coração do Senhor; e o Senhor
guardou Paulo em ambos os aspectos). Se havia necessidade, ele tinha Cristo; se
tinha abundância, também tinha a Cristo. Não se tratava de gozo nas circunstâncias,
mas de poder moral que nos eleva por cima das circunstâncias; isto é algo que
Paulo aprendeu olhando para Cristo em
tudo, e o foi descobrindo ao longo do caminho. Isso não era real no começo da
careira e, Paulo não o aprendeu então,
mas somente no fim da mesma, quando pode falar aos outros disto, como sendo de
algo que havia aprendido. Tal como
disse: "Meu Deus" (Filipenses 4:19). Bendita expressão! Perfeitamente
conhecida em toda classe de circunstâncias: "Em caminhos muitas vezes; em
perigos de rios, perigos de ladrões, perigos dos de minha nação, perigos dos
gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre
falsos irmãos; em trabalho e fatiga, em muitos desvelos, em fome e sede, em jejuns
muitas vezes, em frio e em nudez" (2.ª Coríntios 11:26-27). Não obstante
isso, ele pode dizer: "O meu Deus, segundo as suas riquezas,
suprirá todas as vossas necessidades. Eu
o conheço e, se me perguntam qual é Sua medida, responderei que é: “Conforme as suas riquezas em glória em
Cristo Jesus”! Eu lhes posso garantir tudo isto. Paulo percebeu que todos
buscavam o que era seu próprio, mas isto só lhe dava motivo para dizer com mais
convicção: "Meu Deus”.
Que realidade há na vida de fé que caminha em
segredo com Deus! Frágeis vasos somos os que andamos nela; mas é algo que nada,
nem ninguém pode tocar, nem ainda Satanás a pode arrebatar; e as provas que
surgem ao longo desta senda, não fazem mais que demonstrar que somos superiores
a toda circunstância, pelo poder de Sua graça. Que Deus nos conceda conhecê-la,
assim como conhecer-lhe nela! Amém.
J.
N. Darby
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