Nicolaítismo
Surgimento e crescimento do clero
Introdução
“Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos
nicolaítas, as quais eu também aborreço... Assim, tens também os que seguem a
doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço” (Apoc. 2: 6 e 15, cartas que o
Senhor dirigiu a igreja de Éfeso e de Pérgamo).
Nas cartas proféticas dirigidas as sete igrejas de
Apocalipse 2 e 3 (as quais nos dão a história espiritual da igreja desde o
tempo dos apóstolos até a vinda do Senhor Jesus), a carta a igreja de Pérgamo
segue as cartas as igreja de Éfeso e Esmirna.
Pérgamo marca a terceira etapa do desvio da verdade,
por parte da igreja e é, historicamente, fácil de ser reconhecida. Se voltarmos
ao tempo no qual, depois de haver atravessado as perseguições pagãs (Esmirna),
a igreja foi publicamente reconhecida e estabelecida no mundo. O tema principal
da carta a Pérgamo é: “a igreja que habita, onde está o trono de Satanás”. A
palavra correta é “trono” e não “assento”. Satanás tem seu trono no mundo, e
não no inferno, o qual será sua prisão e no qual nunca reinará. Ele é chamado
“o príncipe deste mundo” em João 12:31; 14:30 e 16:11.
Portanto, morar onde está o trono de Satanás é
assentar-se no mundo, debaixo do seu governo e sob a proteção de Satanás. Isto é o que é chamado de a instituição da igreja! Aconteceu quando Constantino era imperador
romano, por volta do ano 320 D.C. Ainda, quando a tendência da igreja a unir-se
com o mundo estava aumentando por algum tempo, foi, então, que ela saiu do
lugar que lhe era próprio, devido, e ingressou nos lugares da antiga idolatria
pagã. Isto foi chamado de o triunfo do cristianismo, mas, o resultado foi que a
igreja tomou posse das coisas do mundo com tal firmeza, como nunca antes havia
feito. Foi lhe dado um lugar de liderança no mundo e os princípios do mundo a
invadiram rapidamente.
O nome Pérgamo indica isto. É uma palavra grega que
significa casamento. O casamento da igreja com qualquer coisa, antes que Cristo
venha levá-la consigo (no arrebatamento) é infidelidade feita a Ele, com quem
ela está desposada. Porém aqui está o matrimônio com o mundo, e o final de um
noivado que havia começado muito tempo atrás.
Antes do tempo deste “casamento”, uma coisa importante
foi mencionada na primeira carta a igreja de Éfeso, ainda que só de maneira
incidental, pois ela não caracteriza a condição espiritual da igreja de Éfeso.
O Senhor lhes diz: “Tens, porém isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as
quais eu aborreço” (Apoc. 2:6). Entretanto, em Pérgamo temos mais do que as
obras dos nicolaítas; temos uma doutrina, e a igreja em vez de recusá-la, a
tolerava. Em seu tempo, os santos de Éfeso aborreciam as obras dos nicolaítas,
mas em Pérgamo a toleraram e não condenaram aqueles que seguiam esta doutrina.
Como devemos interpretar estes versículos? Achamos que
a palavra nicolaítas é a única que temos para nos ajudar. Muitos têm realizado
grandes esforços com a intenção de demonstrar que existiu uma seita dos
nicolaítas – um grupo religioso chamado por esse nome – mas a maioria dos
autores concordam que essa hipótese é muito improvável. Ainda que houvesse
existido tal seita, é difícil entender porque deveria haver nestas epístolas profética,
semelhante e repetida menção enfática de uma seita obscura, acerca da qual não
se possa dizer pouco ou nada. O Senhor adverte solene e poderosamente: “a qual
eu aborreço”. Ela deve ter especial importância (importância vista do lado negativo)
para Ele, e também deve ser significativa na história da igreja, ainda que
possa ser pouco compreendida. Igualmente, a escritura não nos remete a história
da igreja, nem a nenhuma outra história, para que interpretemos seus
significados. A palavra de Deus é seu próprio interprete através do Espírito
Santo e não temos que buscar outras fontes para descobrir o que está ali. Do
contrário, a interpretação da escritura dependeria de homens eruditos que
buscam respostas para aqueles que não tem os mesmos recursos ou aptidões, as
quais, forçosamente, haveriam de ser aceitas sobre a base de sua autoridade
somente!
Ao longo das escrituras, o significado dos nomes é
importante, e o significado de NICOLAÍTA
é chamativo e instrutivo. Como suposição para aqueles que falavam grego, o
significado lhes traria um resultado claro. Significa SUBJUGADOR DO POVO. A última
parte da palavra (Laos) é a palavra grega que designa o “povo” e nosso termo de
uso comum “leigo” deriva dela. Assim, pois, os nicolaítas foram pessoas que
estiveram submetendo ou reprimindo os leigos – a massa do povo cristão – para
indevidamente tornarem-se senhores sobre eles.
O que faz que isto seja mais claro ainda, é que em
Pérgamo temos também aqueles que seguiam a doutrina de Balaão; um nome que, cuja
semelhança no tocante ao significado, tem sido observado com frequência. Balaão
é uma palavra hebraica que significa destruidor
do povo, um significado muito importante em vista de sua história. Balaão
“ensinava a Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que
comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem” (Apoc. 2:14). Com
este propósito instigou a Israel a misturar-se com as nações, das quais Deus os
havia separado com muito cuidado. O desdobramento dessa necessária separação
significou a destruição de Israel, enquanto a mistura prevaleceu. De igual
modo, a igreja é chamada a sair do mundo, e é sumamente fácil aplicar o tipo
divino neste caso, assim, a estreita relação destes nomes (Balaão e
nicolaítas), ajuda a confirmar o significado anterior de nicolaíta.
Observemos o desenrolar do nicolaísmo. No principio só certas pessoas adotaram uma
posição de superioridade sobre o povo. Suas obras demonstram o que eram. Ainda
não havia doutrina na carta à igreja de Éfeso, porém uma doutrina se
estabeleceu em Pérgamo.
Agora o lugar de liderança é assumido para ser deles por
direito. A doutrina – o ensino sobre isto – é aceita ao menos por alguns, e a
igreja ficou indiferente ante esta situação. Que aconteceu entre as obras dos
nicolaítas e a doutrina? Surgiu um partido ao qual o Senhor faz referência,
como daqueles que dizem que são judeus e não são, mas que na verdade eram
“sinagoga de Satanás”, o esforço demasiado, mas, bem sucedido de Satanás de
judaizar a igreja, e de fazer que a igreja fosse como o judaísmo do Velho Testamento.
O judaísmo foi um sistema probatório; um sistema de
prova, para ver se o homem podia produzir uma justiça que agradasse a Deus. O
resultado obtido nesta prova está nestas palavras de Deus: “Não há justo, nem um
sequer” (Rom. 3:10). Só então, Deus pode manifestar sua graça. Enquanto
estivesse submetendo o homem à prova, Deus não podia abrir o caminho a sua
própria presença, e justificar[1] o
pecador. Ele teve que manter o homem afastado durante a duração da prova, para
que sobre aquele fundamento (as obras dos homens), ninguém pudesse ver a Deus e
viver. Entretanto, a essência natural da igreja é que todos são
bem-vindos. Há uma porta aberta e um acesso direto a Deus. O sangue do Senhor
Jesus habilita cada pecador, a aproximar-se de Deus e a encontrar justificação
por Ele. Ver a Deus no Senhor Jesus é viver e não morrer. Por isso aqueles que
o têm encontrado pelo caminho do sangue, que fala de paz, são considerados
aptos e convidados para tomar um lugar distinto com todos os demais, porque
agora eles são seus, são filhos do Pai e membros do Senhor Jesus Cristo,
membros do seu corpo. Essa é a verdadeira igreja, um corpo chamado a sair fora,
separando-se do mundo (Leia I Cor. 12 e Efésios 1: 22e23).
Por outro lado, o judaísmo incluía somente os judeus e
nenhum gentio podia tomar um lugar com Deus; e por outra parte, mesmo a
separação entre judeus piedosos e não piedosos era praticamente, impossível. Assim,
sendo, o judaísmo foi uma necessidade prevista por Deus, mas restaurar
novamente o judaísmo depois que Deus lhe colocou um fim, não tinha mais sentido.
Pois o judaísmo foi usado com muito êxito por Satanás, contra o evangelho de
Deus e sua igreja. Deus denominou a estes judaizantes de a “sinagoga de
Satanás”.
Agora podemos entender porque quando o verdadeiro
caráter da igreja foi perdido de vista, quando o significado de “membro da
igreja” chegou a ser pessoas batizadas com água em lugar de ser pessoas
batizadas com o Espírito Santo; quando o batismo com água e com o Espírito
Santo foram considerados a mesma coisa (e isto chegou a ser aceito como
doutrina muito cedo na história da igreja), a sinagoga judaica foi, na prática,
estabelecida novamente. Cada vez ficou sendo mais difícil falar de cristãos convictos,
que houvessem feito a paz com Deus e que foram salvos. Eles esperavam sê-lo, e
os sacramentos e as ordenanças chegaram a ser os meios da graça, para
assegurar, no possível, uma salvação ainda muito distante.
Veremos como isto contribuiu para a doutrina dos nicolaítas.
À medida que a igreja chegou a ser uma “sinagoga”, os cristãos vieram a ser, na
prática, o que foram os judeus na antiguidade, quando não havia de forma alguma,
nenhuma aproximação real de Deus, inclusive o Sumo Sacerdote que, (como tipo do
Senhor Jesus Cristo) entrava uma vez por ano no Santo dos Santos, tinha que
cobrir o propiciatório com uma nuvem de incenso para não morrer. Os sacerdotes
comuns só podiam entrar no Lugar Santo exterior, e os demais nem sequer ali
podiam entrar. Tudo isto estava expressamente designado como um testemunho da
sua condição espiritual. Era a consequência de seu fracasso espiritual em vista
do mandamento dado por Deus a eles em Êxodo 19: 5 e 6: “Agora, pois, se
diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu concerto, então sereis
a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é
minha; e vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo”.
Assim, pois, foi oferecida por Deus a Israel,
condicionalmente, uma possibilidade igual, de acesso íntimo a Deus. Todos eles
haveriam de serem sacerdotes. Mas isto foi revogado porquanto quebraram o
pacto. Então, os membros de uma família especial (Levi) foram postos como
sacerdotes e o resto do povo foi colocado em segundo plano. Desta forma, um sacerdócio
separado e intermediário caracterizou o judaísmo. Não havia nenhum trabalho evangelistico, nenhuma saída ao mundo, nenhuma provisão, nenhuma ordem para pregar
a lei em absoluto. Com efeito, que poderiam dizer? Que Deus estava em densa
escuridão e que ninguém podia vê-lo e viver. Isto não era boas novas. Assim, a
ausência do evangelismo e a presença do sacerdócio intermediário[2]
contavam a mesma triste história.
Tal era o judaísmo. Quão diferente é a igreja!
Assim que a morte do Senhor Jesus Cristo rasgou o véu (entre o lugar santo e o
santo dos santos) (Mat. 27:51), e abriu
o caminho até a presença de Deus, então, de imediato, houve evangelho, e a nova
ordem foi: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura” (Mar.
16:15). Deus agora deseja ser conhecido no mundo inteiro.
A intermediação sacerdotal terminou pelo fato que
todos os cristãos agora são sacerdotes para Deus. O que foi oferecido a Israel
condicionalmente é agora um fato incondicional e consumado para a igreja. Nós
somos um reino de sacerdotes; e é Pedro
(apontado pelos homens como a cabeça do ritualismo) quem anuncia as duas coisas
que destroem por completo o ritualismo. Primeiro, ele nos diz que somos
“nascidos de novo”, não por batismo, mas “pela palavra de Deus que vive e
permanece para sempre”. Segundo, em lugar de uma camada de sacerdotes, ele diz
a todos os cristãos: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa
espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis
a Deus por Jesus Cristo” (I Pe. 1:23 e 2:5). Hoje nosso louvor e ação de
graças, e ainda nossas vidas e nossos corpos, tudo deve ser sacrifício
espiritual para Deus (Heb. 13:15, 16; Rom. 12:1). Esta deve ser a verdadeira
obra sacerdotal de nossa parte, e só deste modo, conseguiremos fazer que nossas
vidas adquirem seu caráter próprio. Estes sacrifícios constituem-se no serviço
de ofertas de gratidão, daqueles que são capacitados para aproximarem-se de
Deus.
No judaísmo – permitem-me repeti-lo – ninguém
realmente se aproximava de Deus. Assim, pois, sempre que encontramos uma classe
sacerdotal, isto significa a mesma coisa para a massa de pessoas hoje, é o
mesmo que dizer: Deus está fora, que há distância e obscuridade.
O significado de um Clero
Vamos ver agora o que significa um clero. É uma
palavra que indica uma classe especial de pessoas, distinguidas dos “leigos”,
por haver se entregado a coisas espirituais e por terem um lugar de privilégio
em relação com as coisas sagradas, que os leigos não têm. Atualmente, esta
classe especial está em
expansão. Ela atingiu o clímax neste dias em que vivemos.
Nunca até então, o clero foi tão expansivo como nestes dias. Porém, que
significado tem esta classe especial? Sendo distinta dos leigos e gozando de
privilégios que estes não gozam, constituem um aberto e real nicolaítismo, [3] a
menos que a escritura avalize suas pretensões, posto que os leigos tenham sido submetidos a eles! Mas a
escritura não utiliza tais termos e distinções de classe, nem os aplica ao
nosso tempo, do Novo Testamento. Estes termos, “clérigos” e “leigos”, são pura
invenção humana, que tem surgido depois que o novo testamento foi completado,
ainda que na realidade, o conceito que está por traz deste termo, foi de fato
importado do judaísmo do velho testamento.
Devemos observar o importante principio que está em
jogo, para entender porque o Senhor Jesus disse que aborrece as obras dos
nicolaítas. Nós também, se estamos em comunhão com nosso Senhor, devemos
aborrecer também o que Ele aborrece.
Eu não estou falando de pessoas (e Deus não o
permite), estou falando de uma coisa. Hoje estamos no final de uma larga série
de distanciamento de Deus. Como conseqüência, aceitamos entre muitas coisas, aquelas
que têm chegado até nós com a “tradição dos anciãos”, trazidas por homens a quem
honramos e amamos, e, admitindo sua autoridade, temos aceitado estas tradições
sem haver jamais analisado a questão por nossa conta própria, a luz da palavra
de Deus.
Sinceramente, reconhecemos muitos destes homens como
verdadeiros servos de Deus, porém ocupando uma posição errada. Estou me
referindo à posição; àquilo que o Senhor aborrece. Deus não diz: “as pessoas
que eu aborreço”. Ainda naqueles dias esta classe do mal não era hereditária,
como é agora, e aqueles que espalhavam o mal, tinham sua própria
responsabilidade; por outro lado, nós não deveríamos envergonhar, nem temer
estar onde o Senhor está. De fato, não podemos estar com Ele neste assunto, a
menos que nós também aborreçamos as obras dos nicolaítas.
Devemos aborrecer estas coisas, porque significa uma
camada ou classe espiritual – um grupo de pessoas que oficialmente tem um
direito a direção em coisas espirituais, uma aproximação de Deus baseada numa
posição oficial, e não de poder espiritual -, Isto é realmente um
ressurgimento, debaixo de outros nomes, e com modificações, do sacerdócio
intermediário do judaísmo. Este é o significado do clero. Portanto, o resto dos
cristãos, são só os leigos, a classe inferior, relegada, em maior ou menor
medida a antiga distância de Deus, à qual a cruz pôs um fim.
Agora podemos ver a razão porque a igreja tinha que
ser judaizada, antes que as obras dos nicolaítas pudessem tornar-se em uma
doutrina. Debaixo do judaísmo, o Senhor até havia autorizado a obediência a
escribas e fariseus que se sentavam na cadeira de Moisés (Mat. 23: 2 e 3); e
para que este texto pudesse ser aplicado agora, era preciso estabelecer ou
erguer na igreja, a cadeira de Moisés. Uma vez que isto teve lugar, e que a
massa de cristãos fora rebaixada do sacerdócio do qual falou Pedro, a meros
“membros leigos”, a doutrina dos nicolaítas foi estabelecida.
O Ministério Cristão
Que não seja mal interpretado. Não coloco em dúvida a
instituição divina do ministério cristão, visto que o ministério cristão é
característico da igreja, e se creio que todos os verdadeiros cristãos são obreiros,
não questiono um ministério especial e distinto da palavra, como sendo dado por
Deus a alguns e não a todos, mas para o benefício de todos. Ninguém que seja
verdadeiramente ensinado por Deus pode negar que alguns cristãos tenham dons de
evangelistas, pastores ou mestres. A escritura ensina que todo verdadeiro
ministério é um dom de Cristo, que Ele mesmo deu a igreja, como expressão do
seu cuidado como cabeça da igreja, e que é para seu povo, e que o lugar que
ocupam no corpo, foi dado por Deus, e que eles são responsáveis em seu caráter
de obreiros, diante de Deus somente. O miserável sistema clérico-leigo destituiu
o obreiro de Deus deste lugar bendito e fez dele pouco mais que um objeto e
servidor dos homens. Uma vez que lhe outorga um lugar de senhorio sobre o povo,
que satisfaz a sua mente carnal (a velha natureza), este sistema restringe o
homem espiritual, ao gerar nele uma consciência artificial para os homens (tal
como o conselho de igrejas, etc.), e cega a sua consciência, fazendo-lhe pensar
que está agindo de forma correta diante de Deus.
Permita-me por uns instantes, demonstrar qual é a
doutrina das escrituras sobre o “ministério”. È muito simples. A verdadeira
igreja de Deus é o corpo de Cristo; todos os membros são os membros de Cristo.
Nas escrituras não existe outra distinção de membros além desta: a de membros
do corpo de Cristo, a qual pertence todos os verdadeiros cristãos; não muitos
corpos de Cristo, mas, um só corpo (Efe. 4:4); não muitas igrejas, mas, uma só
igreja.
Há um lugar diferente para cada membro no corpo, pelo
fato que ele ou ela são membros do corpo. Todos não podem ser os olhos, os
ouvidos, etc., porém, todos eles são necessários, e todos servem de alguma
forma, uns aos outros. Assim, pois, cada membro tem seu lugar, não só em uma
determinada localidade, e para o benefício uns dos outros, como também, para o
benefício do corpo inteiro.
Cada membro tem um dom “porque assim como em um corpo
temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós,
que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos
membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, seja segundo a
graça que nos é dada: se for profecia, seja ela segundo a medida da fé” (Rom.
12: 4-6); Leia também I Cor. 12: 7-11; Efe. 4: 7; e I Pe 4:10, passagens que
também demonstram que cada cristão possui um dom.
Em I
Coríntios 12, Paulo
fala em detalhe destes dons e os chama por um nome significativo no verso 7:
“manifestação do Espírito”. Eles são dons do Espírito e, também, manifestações
do Espírito. Eles se manifestam a si mesmos ali onde se encontram, onde há
discernimento espiritual por pessoas que estão muito perto de Deus, em comunhão
íntima com Ele. Por exemplo, tomemos o evangelho. De onde provém seu poder e autoridade? É de alguma
aprovação humana, ou é de seu próprio poder inerente? Infelizmente, a tentativa
comum de engrandecer o mensageiro, apaga a palavra, em lugar de acrescentar
poder. A palavra de Deus deve ser recebida, simplesmente, por ser sua palavra.
Ela tem a capacidade de satisfazer as necessidades do coração e da consciência,
porque são as boas novas de Deus; e Deus conhece perfeitamente qual é a
necessidade do homem, e, em consequência disto, tem feito provisão para ele.
Todo aquele que tem sentido o poder do evangelho, sabe de quem tem vindo este
poder. A obra e o testemunho do Espírito Santo na alma, não necessitam de
nenhum testemunho humano como complemento.
A defesa do Senhor em qualquer circunstância foi a
verdade. Ele disse: “E se vos digo a verdade, porque não me credes?” (Jo.
8:46). Quando Ele falava na sinagoga judaica ou em qualquer outro lugar, aos
olhos dos homens era somente um pobre filho do carpinteiro, descredenciado
pelas escolas ou por alguns grupos de homens. Todo o peso da autoridade humana estava
contra Ele. Ele inclusive recusou receber testemunho dos homens.
Somente a palavra de Deus tem a autoridade de falar
por Deus. “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (Jo. 7:16).
E, como Ele foi aprovado? Pelo fato de sempre dizer a verdade, porque Ele é a
verdade. Ele fez conhecer a verdade àqueles que o buscavam, disse Ele: “Se
alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de
Deus, ou se falo de mim mesmo” (Jo. 7:17). Em João capítulos 7 e 8, o Senhor
está lhes dizendo: “Eu vos digo a verdade que de Deus tenho ouvido”. E se esta
é a verdade, e se procurais fazer a vontade de Deus, aprendereis pela mesma
verdade a reconhecê-la. Deus não manterá ninguém na ignorância e obscuridade se
procurarem fazer a sua vontade. Permitiria Deus que os corações sinceros fossem
defraudados pelos muitos enganos que estão ao derredor? É certo que não! Ele faz conhecer a sua voz a todos os que o buscam. O Senhor Jesus disse a Pilatos: “Todo aquele
que é da verdade ouve a minha voz” (Jo. 18:37). “As minhas ovelhas ouvem a
minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem”, e outra vez: “Mas de modo nenhum
seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”
(Jo. 10: 27, e 5).
A verdade é de uma natureza tal que a desonramos se
tratamos de homologá-la apenas para aqueles que são sinceros, como se ela não
fosse capaz de evidenciar-se a si mesma. Inclusive, Deus mesmo é desonrado
nisto; é como se Ele não fosse suficiente para as almas, ou até mesmo para o
fim, para o qual Ele deu a verdade. Não, o apóstolo fala da “manifestação da
verdade”, diz ele: “E assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na
presença de Deus, pela manifestação da verdade” (II Cor. 4:2). O Senhor disse que o mundo está condenado,
porque “a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz,
porque suas obras eram más” (Jo. 3:19). Não havia nenhuma falta da sua
evidência. A luz estava ali, e os homens reconheceram seu poder para sua
própria condenação, quando intentaram escapar dela.
Da mesma forma, no caso do dom. “A manifestação do
Espírito”; e ela “é dada a cada um para o que for útil” (I Cor. 12:7). Pelo
simples fato do homem possuí-la, ele é responsável pelo seu uso, responsável
diante Dele, que não lhe deu em
vão. A capacidade e o título para “servir” estão no dom,
portanto, sou responsável para ajudar e para servir com o que recebi. Se outros
recebem ajuda, eles não necessitam perguntar se tenho autorização para
ajudá-los.
Este é o caráter simples do ministério, servir por amor
conforme a capacidade que Deus dá; serviço mutuo de uns para os outros e para
todos, sem distinção ou exclusão de quem quer que seja. Cada dom é adicionado
ao tesouro comum e todos são enriquecidos. A bênção de Deus e a manifestação do
Espírito é toda autorização requerida. Todos não são mestres, mas nisto se
aplica, exatamente, o mesmo principio. No entanto, o ensino é que há uma
diversidade de serviço para Deus, serviço que é feito por uns e por outros , de
acordo com a esfera do seu ministério.
Não existia, por acaso, nenhuma classe ordenada
(designada) na igreja primitiva? Isso é uma coisa totalmente distinta, pois a
ocasião a exigiu. Havia duas classes de oficiais que eram regularmente
designados e ordenados. Os Diáconos,
ou servidores tinham a seu cargo os fundos para os pobres e para outros
propósitos; e eram escolhidos pelos santos para este posto de confiança, e
imediatamente nomeados pelos apóstolos para o serviço escolhido, ou por aqueles
autorizados pelos apóstolos para fazê-lo. Os
anciãos eram a segunda classe de homens – homens idosos, como indica a
palavra – que foram eleitos nas igrejas locais, unicamente, pelos apóstolos ou
seus delegados (Atos 14:23; Tito 1:5), como bispos ou supervisores, para
cuidarem do estado espiritual da igreja. Os anciãos eram os mesmos bispos, como
deduzimos claramente das palavras de Paulo aos anciãos de Éfeso (Atos 20:17,
28), quando os exortava, dizendo: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre
que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de
Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”. O mesmo também podemos
encontrar em Tito 1: 5, 7: “ por esta causa te deixei em Creta, para que ... de
cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como te mandei. Porque convém que
o bispo (superintendente) seja irrepreensível ...”.
O trabalho de um ancião era vigiar e superintender ou
supervisionar a igreja, e ainda ser “apto para ensinar” (I Tim. 3:2), qualidade
que era muito requerida, tendo em vista que os erros já eram grandes. O ato de
ensinar corretamente, não era algo limitado àqueles que eram “maridos de uma só
mulher e que tivessem seus filhos em sujeição com toda modéstia”, etc. (Tito 1:
6-9; I Tim. 3). Esta foi uma exigência necessária para alguém que iria ser
ancião (ou bispo). “Se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá
cuidado da igreja de Deus?” (I Tim. 1:5).
Quaisquer que tenham sido os dons que tiveram os
anciãos, eles os utilizavam da mesma maneira que todos os demais faziam. O
apóstolo Paulo ordena o seguinte: “Os presbíteros que governam bem sejam
estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na
palavra e na doutrina” (I Tim. 5:17). Contudo, entendemos, claramente, que eles
poderiam governar bem, sem ocupar-se em trabalhar na palavra e no ensino.
O significado de sua ordenação ou nomeação era somente
este: Trata-se aqui de uma questão de autoridade, não de dom. Foi uma questão
de título, para examinar com freqüência assuntos difíceis e delicados entre as
pessoas que não estavam dispostos a submeter-se a palavra de Deus. A distribuição de “dom”, entretanto, era uma
questão totalmente diferente.
Ministério versos Clericalismo
Nosso árduo dever agora é contrastar esta doutrina das
escrituras, com os sistemas, nos quais uma classe definida está, formalmente,
consagrada para as coisas espirituais, enquanto que os leigos estão excluídos
da dita posição. O verdadeiro nicolaísmo
é: A sujeição do povo.
O ministério, na palavra de Deus é real e
completamente legítimo, e são para todos aqueles que possuem dons e responsabilidades
especiais (mas não exclusivamente) para ministrá-la. Porém, o sacerdócio é
totalmente diferente do ministério, para ser reconhecido onde seja reivindicado,
ou já exista. Os crentes, quase que em geral, rejeitam todo poder sacerdotal em
seus ministros. Não tenho nenhum desejo de questionar sua honestidade neste
assunto. Eles querem dizer com isto, que seus ministros não têm nenhum poder
autoritário de absolvição[4], e
que eles não fazem da mesa do Senhor, um altar em que se renova dia após dia
(como na missa católica romana), a perfeição do sacrifício único e suficiente
de Cristo, negada por inumeráveis repetições. Eles têm razões com respeito a
ambas as coisas, mas esta não é a história completa. Se olharmos mais
profundamente, veremos que há um caráter sacerdotal de muitas outras maneiras.
Podemos distinguir
sacerdócio e ministério da seguinte maneira: O ministério é para os homens,
enquanto que o sacerdócio é para Deus. O que ministra traz a mensagem de Deus
ao povo, falando da parte de Deus, a eles. O sacerdote, por sua vez, dirige a
Deus da parte do povo, falando em sentido contrário, fala da parte do povo a
Deus.
O louvor e as ações de
graças são sacrifícios espirituais. Eles são de nossa parte sacrifícios
oferecidos como sacerdotes. Agora coloque uma classe especial em um lugar, onde
só eles, de forma regular e oficial, atuem dando louvores e ações de graças, e,
virá a ser um sacerdócio intermediário, mediadores entre Deus e aqueles que não
estão tão perto Dele.
A Ceia do Senhor é a mais completa e proeminente
expressão pública da adoração e ação de graça cristã; mas, qual ministro
evangélico ou pastor denominacional, não considera como seu direito e dever
ministrá-la? A maioria dos leigos se absteria de administrá-la. Este é um dos
terríveis males do sistema, pelo qual as massas de pessoas cristãs são deste
modo secularizadas (feitas mundanas). Ocupadas com coisas mundanas, pensam que
não chegarão a serem espirituais como os clérigos. Deste modo, as massas de
pessoas são substituídas das ocupações espirituais, para as quais creem não
possuir as mesmas condições do clero.
Todavia isto vai mais além. “Porque os lábios do
sacerdote guardarão a ciência” (Malaquias 2:7). Mas, como pode o leigo (que
chegou a tal posição, por ter abandonado seu sacerdócio voluntariamente) ter a
sabedoria pertencente a uma classe sacerdotal? A falta de espiritualidade, a
qual eles desprezaram, os impede de conhecer as coisas espirituais. Assim, só a
classe ocupada nas coisas espirituais tem condições de interpretar a palavra de
Deus. Desta maneira, o clero vem a ser olhos, ouvidos e boca espiritual dos
leigos.
De qualquer forma, esta organização é necessária e
conveniente para a maioria das pessoas. O “clericalismo” começou, simplesmente,
por que uma classe de homens queria um lugar de direção, queria assumir a
liderança. Esta miserável e antibíblica distinção entre clero e leigos não
teria ocorrido nunca, tão rápida e universalmente, se não estivesse bem
adaptada ao gosto daqueles que foram afastados e rebaixados. No cristianismo,
como em Israel, a profecia se cumpriu “os profetas profetizaram falsamente, e
os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja?” (Jer.
5:31). Ao sobrevir uma decadência
espiritual, alguém que voltando ao mundo, troca de boa vontade, como Esaú, sua
primogenitura espiritual, por uma mistura de sopa mundana. Transfere com
satisfação seus deveres de cuidar das coisas espirituais, a aqueles que aceitam
esta responsabilidade.
Uma vez que a igreja perdeu seu primeiro amor e o
mundo começou a introduzir-se através das portas desprotegidas, chegou a ser
mais difícil para os cristãos tomar o bendito lugar que lhes pertencia. Cada
passo descendente tornava-se mais fácil os passos subsequentes, até que em
menos de 300 anos desde o começo da igreja, um sacerdócio judio e uma religião
ritualista foi praticada em quase todas as partes. Somente os nomes das coisas
preciosas do cristianismo foram deixados.
A realidade dos privilégios especiais e cada cristão individualmente
havia desaparecido.
Ordenação
Quero notar com mais detalhe um traço característico
do clericalismo. Já fizemos notar a confusão entre o ministério e o sacerdócio;
a arrogância de um nome oficial, não bíblico, para as coisas espirituais, para
dirigir a Ceia do Senhor e para batizar, etc. Agora trataremos da ênfase dada
por este perverso sistema à ordenação (isto é, nomeação ou reconhecimento
oficial).
Primeiramente, desejamos que
saibais o que significa ordenação. Se consultarmos o Novo testamento, não
encontraremos nada acerca de uma ordenação para pregar ou ensinar.
Encontraremos pessoas que faziam este serviço livremente, usando um dom que
receberam. A igreja inteira foi dispersa para fora de Jerusalém (exceto os
apóstolos), e estas pessoas foram por toda a parte pregando a palavra. As
perseguições não às ordenaram. Não há nenhum vestígio de outra coisa. Timóteo
recebeu um dom, por profecia, pela imposição das mãos de Paulo, e das mãos do
presbitério ( I Tim. 4:14; II Tim. 1:6); porém, aquilo era a comunicação de um
dom, e não uma autorização de uso. A Timóteo, então, é ordenado que ele confie
ou transmita a homens fiéis, e que fossem também idôneos para também ensinar a
outros (II Tim. 2:2), mas não há nenhuma palavra acerca de ordená-los. O caso
de Paulo e Barnabé em Antioquia (Atos 13:1-4), não serve como apoio, para o
propósito com que alguns pretende usá-lo, porque (da maneira como o querem usar) profetas e
mestres estariam obrigados a ordenar
até mesmo ao apóstolo Paulo, que recusou
totalmente ser apóstolo “da parte dos homens, nem por homem algum” (Gal. 1:1). No entanto, o Espírito Santo disse:
“Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos
13:2). Trata-se aqui, simplesmente, de uma missão especial que eles cumpriram
(Atos 14:26). Devemos chamar a atenção do leitor para este fato importante.
Esta chamada não foi em caráter vitalícia, pois o mesmo Espírito Santo afirma
no verso citado acima, que “eles cumpriram”, terminaram o serviço para o qual
foram convocados. É por isso que no capítulo 15:40, temos uma nova comissão,
agora Paulo é recomendado em companhia de Silas, o que desfaz completamente o
sistema vigente, nestes dias de trevas espirituais.
Que significa ordenação nos círculos religiosos da
atualidade? Você pode estar seguro, que significa muito; do contrário, os homens
não contenderiam com tanto zelo por isto.
Há duas formas de ordenação. A primeira forma, mais extrema - como a dos
católicos romanos e os ritualistas – a ordenação confere a atribuição de
conceder poder e autoridade espiritual. Os lideres da igreja arrogam-se de
terem todo o poder dos apóstolos, e a faculdade de fornecer o Espírito Santo
mediante a imposição das mãos. Deste modo, a maioria do povo de Deus é
descartada do sacerdócio que Ele mesmo lhes outorgou, e uma classe especial é
colocada em seu lugar, para interpor-se por eles, de uma maneira que anula o
resultado da obra do Senhor Jesus Cristo e os ata a igreja, como o único meio
de achar graça.
Aqueles que aceitam uma forma mais moderada de
ordenação rechaçam direta e consistentemente essas pretensões ante cristãs.
Eles não pretendem conferir nenhum dom na ordenação, só reconhecem o dom que
Deus tem dado. Entretanto, este “reconhecimento” é considerado necessário,
antes que a pessoa possa batizar ou participar da Ceia do Senhor, e coisas que
não requerem nenhum dom especial em absoluto. Então! Quanto ao ministério, o
dom de Deus estaria sujeito a requerer a aprovação humana, e será “reconhecido”
em nome do povo, por aqueles a quem atribuem
possuir um “discernimento” que os cristãos leigos não possuem.
Cegos ou não, estes mesmos homens ordenados – o clero
– vem a ser os “guias dos cegos”, uma vez que seus próprios corações são
tirados do lugar de direta responsabilidade diante de Deus e feitos
indevidamente, responsáveis ante os homens. Uma consciência artificial é
infundida neles, da parte daqueles que os ordenaram e lhes são constantemente,
impostas condições as quais tem que ajustar, a fim de obter o reconhecimento
requerido. Inclusive estes pastores ou ministros, frequentemente, estão debaixo
do controle dos seus ordenadores, no que respeita ao serviço prestado.
Em principio, tudo isto é infidelidade a Deus, porque
se Deus me tem dado um dom com a finalidade que o dom seja usado par Ele, certamente,
eu seria infiel, se socorresse a alguma pessoa
ou a um grupo de pessoas, com a objetivo de solicitar permissão para
usá-lo. O dom em si mesmo me fornece condições para seu uso, como temos visto.
Se eles dizem que as pessoas podem cometer erros, estou de acordo, mas, quem assumirá
minha responsabilidade, se eu estiver equivocado? Igualmente, os erros
cometidos por um “corpo ordenante” ou “presbitério” são muito mais graves que
os de um indivíduo que simplesmente erra, sem haver sido enviado pelos homens,
porque os erros do corpo ordenante são declarados sagrados e se prolongam no
tempo, por causa da ordenação conferida. Se a pessoa ordenada sustentasse a si
mesma, por seus próprios méritos, encontraria rapidamente seu verdadeiro lugar;
porém, o corpo ordenante investiu nele um caráter que dever ser mantido.
Equivocado ou não, ele é agora, nada mais nem menos que um membro do corpo clerical, um ministro,
ainda que não tenha nada que ministrar. Ele deve ser mantido - deve ter sua
igreja – por mais que esta se encontre numa localidade sem nenhuma importância,
onde as pessoas – amadas por Deus – são postas debaixo dos seus cuidados e
devem permanecer famintas, se ele não é capaz de alimentá-las[5].
Que não seja acusado de sarcástico. O sistema anterior
é um fiel retrato do sistema do qual estou falando, sistema que submerge o
corpo de Cristo em cegueira espiritual, impedindo a livre circulação do sangue
vivificante do ministério, que deveria estar fluindo de forma irrestrita
através de todo o corpo. Aqueles que ordenam na atualidade devem provar que são
bons apóstolos ou homens designados pelos apóstolos, porque segundo as
escrituras, ninguém, além deles, teria autoridade para ordenação (Atos 14:23; Tito 1:5). Ao
mesmo tempo, devem provar que o “ancião” segundo as escrituras, não precisa ser
ancião (velho, experimentado), mas um jovem, uma pessoa solteira, que apenas
saiu de sua adolescência, e que é evangelista, pastor e mestre (todos os dons
envoltos numa só pessoa).. Este é o obreiro segundo o sistema: O tudo em todos
para 50 ou 500 almas confiadas a ele como seu rebanho, no qual ninguém tem o
direito de interferir. Seguramente, a marca do nicolaísmo está colocada sobre
um sistema como este.
Ainda quando o ministro está espiritualmente dotado
(muitos estão, assim como, muitos outros não estão) é improvável que possua
todos os dons espirituais. Imaginemos que ele seja um evangelista e que almas
se salvem, entretanto, ele pode não ser um mestre, e assim, ser incapaz de
edificá-las na verdade. Pode ser que também tenha o dom dado por Deus de
mestre, e seja enviado a um lugar onde existam apenas uns poucos cristãos e
muitos dentre eles não são convertidos. Não há conversões, mas ele continua
ali, por causa do sistema para o qual está trabalhando, mantendo afastado (em
diversos graus), o evangelista que seria a grande necessidade deste lugar.
Agradecemos a Deus, porque Ele está sempre derrotando estes sistemas, e fazendo
provisão para as necessidades dos seus, suprindo-as de forma incompreensível.
As provisões feitas pelos homens, não são conforme o plano de Deus, e dividem o
seu povo em vez de uni-los.
O sistema é o único responsável por tudo isto. O
ministério exclusivo de um só homem, ou de um número específico de homens numa
igreja, não tem suporte na escritura. A ordenação e o esforço para limitar todo
o ministério a certa classe, apoiam apenas na autorização humana e não no dom
divino. E assim, é negado aos demais membros do corpo – o rebanho de Cristo – a
capacidade outorgada por Deus, para ouvirem sua voz e depois transmiti-la. O
resultado disto é que se dá ao homem à atenção que deveria ser dada a palavra
que ele trás. A pergunta predominante é: Está recomendado? A verdade relativa ao
que ele fala, com frequência, é secundária se ele está ordenado; ou quem sabe,
diria eu, sua ortodoxia (sua retidão doutrinal) está estabelecida já de antemão
para eles, pelo fato de ser ordenado.
O apóstolo Paulo não foi autorizado a ministrar segundo
este plano. Havia apóstolos antes dele, mas ele não subiu a eles e nem recebeu
nada deles. Se houvesse havido uma secessão, ele a cortou. Paulo, a propósito,
fez o que fez para mostrar que seu evangelho não era segundo os homens, e nem
por homem algum (Gal. 1:1), e que não descansava sobre a autoridade humana.
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além
do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos,
agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do
que já recebestes, seja anátema (Gal. 1:8, 9).
Autoridade que não seja conferida pela palavra de
Deus, não vale nada. A prova é simples: É isto conforme as escrituras? “Pode,
porventura, um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?” (Luc. 6:39).
Dizer: “eu não pude conhecer, confiei em outro” não o salvará do poço do
inferno (o inferno para os inconversos, a pobreza espiritual e a perda da
comunhão para os salvos), independente de quanta autoridade pretendeu ter, o obreiro
que lhe guiou ao erro.
Mas, como pode pretender o não espiritual e não
instruído leigo, ter um conhecimento igual ao do educado e acreditado obreiro,
dedicado as coisas espirituais? Em geral, não pode. Em vez de dedicar por si e
para si ao estudo da palavra de Deus, usando o poder do Espírito Santo que
habita nele para o aprendizado das coisas espirituais (Jo. 14: 26), ele se
submete a aquele que, segundo se supõe, deve saber mais e melhor do que ele[6].
Assim, pois, na prática o ensino do obreiro ou pastor rebaixa, principalmente,
a autoridade da palavra de Deus.
Entretanto, ele não tem certeza quanto à verdade
ministrada. O leigo não pode esconder de si mesmo o fato de que há discórdia
entre os próprios obreiros mesmos, por mais doutos, bons e acreditados que
sejam. Contudo, aqui o diabo intervém e sugere as pessoas ingênua que a
confusão é o resultado da imprecisão das escrituras, quando na realidade é o
resultado da falta de submissão e obediência as escrituras.
Opinião, falta de fé existe em toda parte. Você tem o
direito de ter a sua opinião, mas deve conceder aos outros o direito a terem a
sua própria. Você pode dizer “eu creio”, embora você não queira dizer “eu sei”.
Reclamar “conhecimento” seria o mesmo que dizer que você é mais sábio e melhor
que as gerações precedentes, as que creram de forma diferente.
A infidelidade (incredulidade) consegue prosperar
desta maneira, e Satanás se regozija quando consegue que os pensamentos de
muitos vibrantes comentaristas substituam a simples e segura “voz divina”. O
que necessitamos é da espada do Espírito, que é a palavra de Deus (Efe. 6:17).
Você crê, “que o que disse João Calvino”, ou “Martinho Lutero”, ou ainda
qualquer outro homem, o capacitará a resistir Satanás, como o “Assim diz o
Senhor?” Quem pode negar que tais pensamentos e práticas estão em todas as
partes e não estão apenas restringidas ao catolicismo romano e ritualista? A
tendência constante é a de desviar-se do Deus vivente, ainda que Ele esteja tão
próximo dos seus hoje em dia, como nunca esteve antes, na história da igreja. Inclusive,
Ele é tão capaz de instruir hoje, como sempre e está disposto a cumprir a sua
palavra: “Se alguém quiser fazer a vontade Dele, pela mesma doutrina conhecerá se
ela é de Deus” (Jo. 7:17). Os olhos da fé são os olhos do coração (do afeto por
Deus), não os olhos da cabeça. Deus tem ocultado dos sábios e entendidos o que
revela as criancinhas. A escola de Deus está num nível mais elevado, superior,
do que todos os seminários juntos, e nesta divina escola leigos e clérigos são
iguais: “mas o que é espiritual discerne tudo” (I Cor. 2:15), pois tudo depende
da condição espiritual, individual. Não há substituto para espiritualidade. O homem não pode gerar a espiritualidade em
outra pessoa mediante a ordenação, nem mediante nenhum outro meio. Ordenação em
sua forma mais moderada é o esforço do homem para conceber a manifestação do
Espírito Santo. Mas, se aqueles que ordenam cometem erros (isto prova que eles
mesmos não são espirituais, e por isso, incapazes de julgar) e seus obreiros
não tem nada que ver com a obra de Deus, eles simplesmente prova com isto, que
são cegos guiando cegos.
Sucessão
Em continuação devo falara de sucessão. Uma ordenação
que pretende vir da ordenação dos apóstolos deve ser, se quisermos ter consistência,
sucessória. Quem pode conferir autoridade (e nas teorias mais moderadas da
ordenação, a autoridade é dada, pelo menos para batizar e dirigir a Ceia do
Senhor), se não for alguém comissionado para isto? Portanto, você deve ter uma
cadeia de homens ordenados que se sucedem uns aos outros.
Agora vejamos os resultados. A ordenação, deste modo,
está separada tanto da espiritualidade, como da verdade. Um sacerdote católico,
ainda que seja inconverso, e esteja completamente envolto na tradição romana em
vez de estar envolvido na palavra, pode ser ordenado como qualquer outro; e, é
certo que a maior parte deste sistema cléricos-leigos que está ao redor de nós,
veio através da sujeira de Roma. Debaixo da ordenação e da sucessão, a
impiedade e a impureza não impede a missão para Cristo e o mestre de falsas
doutrinas pode ser seu mensageiro, tanto quanto o ensinador da verdade.
A possessão da verdade, junto com o dom para
ministrá-la, combinados com a piedade, não faz parte das dos requisitos
obrigatórios e essenciais do obreiro, ou pastor, ou sacerdote destes sistemas.
Um homem pode ter todas as qualificações de Deus e não ser admitido como
obreiro, porque não está recomendado por nenhuma denominação; ao passo que ele
pode não ter nenhuma qualificação de Deus, e ser chamado, recebido como pastor
ou obreiro, simplesmente, porque foi recomendado ou ordenado.
Quem pode dar crédito a tal ensino? Pode Deus, que é a
verdade, aprovar o erro? O justo será injusto? Impossível! Este sistema transgride todo principio de moralidade e
endurece a consciência daqueles que tem alguma parte nele, - como isto agrada a
Satanás, e como ele deseja que crêssemos nisto – porque haveríamos de ter cuidado pela verdade, se
Deus não é a verdade, e como poderia Deus enviar mensageiros aqueles que não
deseja que crêem? Debaixo deste sistema a prova dada pelo Senhor mesmo no que
diz respeito a um verdadeiro testemunho, não é aplicável; pois, disse Ele:
“Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória
daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça” (João 7:18).
Inclusive, fracassou a sua própria prova de credibilidade, pois Ele mesmo disse:
“Se vos digo a verdade, porque não credes?” (Jo. 8:46), era seu
descontentamento, em face desta situação. A verdade deve ser estabelecida em
tudo, ou então aquilo que fazemos ou propomos fazer, não é de Deus.
Deus, que previu e anunciou o fracasso da igreja (a
qual deveria ter sido um brilhante testemunho da verdade e de sua graça), não
ordenou uma secessão de mestres nela, para aqueles que levaram avante sua
missão, ignorando o fracasso dela. Antes que os apóstolos morressem, a casa de
Deus já se havia convertido em “uma grande casa”, e foi necessário que os
piedosos se separassem dos “vasos de desonra” que havia nela (II Tim. 2:20-22).
Aquele que ordenou ao apóstolo que instruísse a Timóteo “a seguir a justiça, a
fé, ao amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam ao Senhor” (II
Tim. 2:22), sob nenhum conceito, ou principio, nos poderia ordenar agora, que
ouvíssemos a homens que estão a favor de tudo isto. Por essa razão, em II
Timóteo não há, como em I Timóteo, nenhuma referência a anciãos e nem mesmo a homens ordenados[7].
Agora necessitamos de homens fiéis, não para serem
ordenados, mas para serem fiéis depositários da verdade confiada a Timóteo: “E
o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que
sejam idôneos para também ensinarem os outros” (II Tim. 2:2).
Discussão e Sumario
Deste modo, a santa palavra de Deus sempre é
encomendada ao mesmo coração e a consciência. O esforço em querer dar sua
aprovação ao sacerdócio romano ou a hierarquia das denominações fracassa em
ambos os casos, por estar sobre o terreno do nicolaísmo. O nicolaísmo não é
coisa do passado, não é uma doutrina obscura de épocas passadas, mas, sim, um
gigantesco e difundido sistema de erros, produzindo resultados maléficos. O
erro, ainda que mortal, pode perdurar muito tempo. Não vás atrás dele, por
causa da sua antiguidade e muito menos porque todo o mundo o segue. O Senhor
aborrece este perverso sistema clerical. Se o Senhor o aborrece, deveríamos nós
sentir medo de ter comunhão com Ele neste assunto? Devemos todos reconhecer que
há bons homens envolvidos neste sistema: homens piedosos e verdadeiros obreiros,
que levam sem saber o emblema dos homens.
Que Deus os livre! Que eles possam deitar fora estas ataduras e serem
livres! Que possam elevar-se a verdadeira dignidade do seu chamamento e serem
responsáveis diante de Deus, caminhando diante Dele, somente!
Por outro lado, amados irmãos, é de grande importância
que todos os integrantes do seu povo, por diferente que seja o lugar que ocupem
no corpo de Cristo, estejam conscientes, de que todos eles são obreiros, assim
como sacerdotes, sem exceção. Cada cristão tem deveres espirituais que emanam
de suas relações espirituais, com todos os demais cristãos. É privilégio de
cada cristão contribuir com sua participação no tesouro comum dos dons
espirituais, com os quais o Senhor Jesus Cristo dotou a sua igreja. Um que não
contribui no ministério está deixando de cumprir com sua obrigação com toda a
família de Deus. Qualquer membro que possua, ainda que seja, um pequeno
talento, não tem direito a escondê-lo e sim de investi-lo. Tal ação (ocultá-lo)
é infidelidade e incredulidade.
“Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos
20:35). Irmãos, quando se despertará em nós a realidade destas palavras? Temos
uma inesgotável fonte de regozijo, a qual é para nossa benção, e se virmos a
ela quando tivermos sede, rios de água viva correriam de nós. A fonte de água
viva (a palavra) não está limitada para aquele que a recebe, pela quantidade
que recebe dela. Ela é divina, e ao mesmo tempo, completamente nossa. Oh!
Conhecer mais desta plenitude e da grande responsabilidade em possuí-la, num
mundo espiritualmente seco e cansado! Oh! Conhecer melhor a infinita graça que
nos utiliza como o meio de passá-la até aos homens! Quando estaremos em
condições de entender nossa comum posição e a doce realidade da verdadeira
comunhão com Ele, que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mat.
20:28)? Oh! Por um ministério não
oficial; que corações plenos jorrem dentro dos corações vazios, para que muitos
outros possam também encher-se. Como deveríamos nos regozijar – num mundo de
necessidade, miséria e pecado – pelo fato de encontrar constantes
oportunidades, para mostrar a capacidade da plenitude do Senhor Jesus Cristo,
para combater e ministrar a cada uma das necessidades do mundo.
Para resumir, podemos, pois, afirmar que o ministério
oficial é independência prática do Espírito de Deus. Diz-se que um homem deve
abster-se, ainda que esteja vazio, e, por outro lado, que não deve abster-se,
ainda que esteja cheio. Propõe-se, ante a presença do Espírito Santo – que veio
na ausência do Senhor Jesus Cristo, para ser o Consolador do seu povo –
assegurar a ordem e o fortalecimento da
igreja, mediante legislação, em vez de fazê-lo, mediante poder espiritual.
Fazem com que o rebanho do Senhor Jesus Cristo deixe de ouvir a sua voz,
oferecendo algo desnecessário e sem valor, para ele. Deste modo, sancionam e
perpetuam o indivíduo na falsa espiritualidade, em vez de condená-la e
evitá-la.
O método que Deus usa para o tratamento da falta de
espiritualidade, tornará, exteriormente, mais evidente o fracasso humano, pois
Deus não tem interesse numa aparência exterior correta, quando na verdade, o
coração não é reto para com Ele. Deus sabe que a habilidade para guardar uma
correta aparência, com frequência impede o juízo honesto, diante Dele, da verdadeira
condição espiritual. Os homens teriam repreendido a Pedro por sua tentativa de
andar por sobre as ondas (Mat.14:24-33), o que evidenciou a pequenez da sua fé.
Entretanto, o Senhor somente reprovou a pequenez da fé, que o fez fracassar. O
homem haveria de propor um barco para o fracasso de Pedro, em lugar do poder,
do cuidado do Senhor, cuidado que o fez provar a Pedro. De qualquer maneira,
vento e ondas podem afundar o barco, mas “o Senhor nas alturas é mais poderoso do
que o ruído das grandes águas e do que as grandes ondas do mar” (Sal. 93:4). Ao
largo destes séculos do fracasso humano, poderá alguém provar que Deus seja
infiel? Amados estais convictos que é completamente seguro confiar no Deus
vivente? Se assim é, então deixemos Deus trabalhar, por mais que possamos
admitir que temos fracassado. Que a nossa vida, na verdade, seja o reflexo da
nossa confiança em Deus.
F. W. Grant
NOTA BIOGRÁFICA
Frederick
W. Grant nasceu em Londres, Inglaterra,
em Julho de 1834, e conheceu a Cristo
ainda muito jovem. Em 1855 mudou
para o Canadá, aonde chegou a ser ministro da igreja da Inglaterra.
Enquanto
estava no Canadá, Grant leu literaturas dos chamados “Irmãos”, o que o motivou
a estudar a bíblia com mais intensidade. Como resultado descobriu que sua
posição eclesiástica era errônea, o que o levou a resignar seu pastorado e a
abandonar o denominacionalismo. Seu passo seguinte foi reunir-se com os irmãos.
O
que foi que produziu esta significativa mudança de rumo no irmão Grant? Primeiro,
ele viu na bíblia que a pessoa do Senhor Jesus Cristo é o único e verdadeiro
centro de reunião para os cristãos, e não alguma crença, uma doutrina, uma
organização humana ou um determinado nome. Em segundo lugar ele viu também, que
Deus reconhece uma só igreja, da qual cada cristão é um membro, e que Deus
estabeleceu princípios bem definidos que indicam um caminho comum, no qual
todos os cristãos devem andar em relação com a igreja, caminho que não é
seguido pelas denominações. A terceira coisa que viu foi que o líder, o guia, e
o dirigente da verdadeira igreja é o Espírito Santo, que habita nela, e não um
“oficial” ou um “corpo de oficiais” ordenados por homens, e que, assim como todos os cristãos são sacerdotes diante
de Deus,eles não necessitam que estes “ministros humanamente nomeados” estejam
entre eles e Deus.
Empregou
o resto de sua vida para ensinar esta e muitas outras verdades maravilhosas das
escrituras. Escreveu numerosos livros e
tratados, que apresentam de maneira fiel e metódica a pessoa do Senhor Jesus
Cristo e sua santa palavra a seus leitores.
Grant
foi um dos primeiros mestres da bíblia em discernir a numerologia das
escrituras. Talvez seja mais conhecido precisamente por sua obra de sete
volumes, “a Bíblia numérica” a qual abrange todo o novo testamento e grande
parte do velho. Este trabalho inclui uma tradução muito literal das escrituras
feita por ele mesmo, e uma completa exposição desta de um ponto de vista
numérico.
[1]Nota.-
Justificar significa considerar o homem como se ele nunca houvesse pecado. O
homem pode perdoar e esquecer, mas, só Deus pode justificar sobre a base da
obra redentora do Senhor Jesus na cruz, onde Ele pagou plenamente o preço
exigido pela culpa dos nossos pecados. Desta forma é que Deus vê os cristãos no
Senhor Jesus Cristo.
[2] Nota
- Um sacerdote é um intermediário que se interpõe entre o povo “comum” e Deus. Um sacerdote tem acesso a
Deus. Visto que todos os cristãos são sacerdotes, todos nós temos acesso direto
a Deus. Entre os cristãos, não existe gente “comum”, não existe os leigos.
[3] N
do T, português. Gostaria de chamar a atenção do leitor para outro nome que foi
acrescido nestes últimos dias. Refiro-me ao título “Obreiro de tempo integral” que tem apenas vocábulos diferentes, mas
que na verdade expressa a mesma coisa. A introdução desta classe com este nome,
visa tão somente desviar a atenção do leitor daquilo que é praticado nos outros
sistemas religiosos, dando a impressão de que não estamos sobre o mesmo
terreno. Este ato foi pior do que aquele
e começou com a fundação de várias entidades assistenciais com a finalidade de
suprir esta nova classe criada. Conclamamos o leitor sincero a examinar a sua
bíblia e procurar por tais instituições e por tal nome. O que vemos aqui é uma
atitude ridícula e inconveniente da parte daqueles que pertencem a tal classe,
procurando assim condenar os demais, estando debaixo da mesma condenação. O
novo testamento também não reconhece os obreiros de tempo integral, e a razão
disto é que a expressão em si mesma é uma farsa e uma mentira. Tais obreiros
não existem. O homem ocupa-se muito mais consigo, do que com as coisas de Deus,
então como podem ser integrais?
Nota[4] Absolvição significa “libertar a alguém
das consequências de seus pecados ou perdão de pecados ou culpa”. Na teologia
católica romana significa “Remissão de pecados, e da pena devida ao pecado, a
qual o sacerdote, sobre a base da autoridade recebida (que eles reclamam) de
Cristo, faz o sacramento da penitência” (American College Dictionary).
[5]
Nota – por outro lado, debaixo do sistema em discussão, muitos ministros estão
a mercê de suas congregações. A congregação primeiro decide se ela necessita do
obreiro. Tal ministro satisfaz a eles? Então, tão logo é contratado (algumas
vezes em termos legais e comerciais), e ensina falsa doutrina de maneira que alguns não concordam e queixam,
então a igreja faz um plebiscito para ver se o conserva ou o dispensa. Ele
poderá ser ou não mantido, isto dependerá da condição espiritual daqueles que
decidirão pelo voto. Entretanto, outro ministro pode também falar de maneira
demasiado clara, e pode assim ofender pessoas que não querem escutar acerca do
pecado, do juízo, e do inferno, nem sobre suas responsabilidades como crentes. Neste
caso, também, o ministro pode ser colocado fora do seu emprego, se assim decidirem
seus empregadores. Ambos os conceitos, o de “pastor de uma igreja” e o da
eleição eclesiástica sobre assuntos espirituais são completamente alheios ao
novo testamento.
[6] Nota
- Pense na seguinte matemática:
uma semana tem 168 horas. Em média, as coisas relacionadas com o trabalho
secular somam 40 horas. Você pode dormir 60 horas. 20 horas por semana você
pode dedicar a família, para não dizer que não faz caso dela.Sobram ainda 48
horas disponíveis por semana, as quais você e eu poderíamos dedicá-las as
coisas do Senhor. Há também horas de descanso, de almoço, de recreio, de
transporte, etc. que poderíamos, assim mesmo, aproveitar de alguma forma para o Senhor. Estas 48 horas da semana
elevam-se a 2 496 horas ao ano, e toda esta quantidade de tempo, com oração e
coma ajuda do Senhor, não serviria para
apreender muitíssimo das escrituras e ser útil para o Senhor? Em geral, quanto
mais conhecemos das coisas do Senhor, mais úteis seremos para os outros, por
tanto, não é uma questão de tempo, mas, sim, de desejo, de propósito e de
coração.
[7]
Nota - O que aconteceu entre o período
transcorrido entre as epístolas a Timóteo, para produzir esta mudança? II
Timóteo 1:15 nos responde: “Bem sabes isto, que todos os que estão na Ásia todos se apartaram de mim”. Esta é a
primeira grande divisão que teve lugar
entre o povo do Senhor. Eles não se apartaram de Paulo, do homem, mas
daquilo que ele defendia com firmeza:
As verdades da
igreja, que lhe foram entregues e as
verdades referentes a ordem que deveriam ser guardadas pela igreja de
Deus (1.ª Timóteo 3:15). Portanto, inspirado pelo Espírito Santo, Paulo
escreveu II Timóteo com a finalidade de instruir aqueles que não se apartaram
dele, para que soubessem como atuar debaixo da nova condição de “divisão”, que
iria imperar desde então (leia-se também II Tim. 4:10, 16).
Nenhum comentário:
Postar um comentário