terça-feira, 24 de junho de 2014

A doutrina dos Nicolaítas


                                                                    
Nicolaítismo



Surgimento e crescimento do clero

Introdução

“Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço... Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço” (Apoc. 2: 6 e 15, cartas que o Senhor dirigiu a igreja de Éfeso e de Pérgamo).
Nas cartas proféticas dirigidas as sete igrejas de Apocalipse 2 e 3 (as quais nos dão a história espiritual da igreja desde o tempo dos apóstolos até a vinda do Senhor Jesus), a carta a igreja de Pérgamo segue as cartas as igreja de Éfeso e Esmirna.
Pérgamo marca a terceira etapa do desvio da verdade, por parte da igreja e é, historicamente, fácil de ser reconhecida. Se voltarmos ao tempo no qual, depois de haver atravessado as perseguições pagãs (Esmirna), a igreja foi publicamente reconhecida e estabelecida no mundo. O tema principal da carta a Pérgamo é: “a igreja que habita, onde está o trono de Satanás”. A palavra correta é “trono” e não “assento”. Satanás tem seu trono no mundo, e não no inferno, o qual será sua prisão e no qual nunca reinará. Ele é chamado “o príncipe deste mundo” em João 12:31; 14:30 e 16:11.
Portanto, morar onde está o trono de Satanás é assentar-se no mundo, debaixo do seu governo e sob a proteção de Satanás.  Isto é o que é chamado de a instituição da igreja!  Aconteceu quando Constantino era imperador romano, por volta do ano 320 D.C. Ainda, quando a tendência da igreja a unir-se com o mundo estava aumentando por algum tempo, foi, então, que ela saiu do lugar que lhe era próprio, devido, e ingressou nos lugares da antiga idolatria pagã. Isto foi chamado de o triunfo do cristianismo, mas, o resultado foi que a igreja tomou posse das coisas do mundo com tal firmeza, como nunca antes havia feito. Foi lhe dado um lugar de liderança no mundo e os princípios do mundo a invadiram rapidamente.
O nome Pérgamo indica isto. É uma palavra grega que significa casamento. O casamento da igreja com qualquer coisa, antes que Cristo venha levá-la consigo (no arrebatamento) é infidelidade feita a Ele, com quem ela está desposada. Porém aqui está o matrimônio com o mundo, e o final de um noivado que havia começado muito tempo atrás.
Antes do tempo deste “casamento”, uma coisa importante foi mencionada na primeira carta a igreja de Éfeso, ainda que só de maneira incidental, pois ela não caracteriza a condição espiritual da igreja de Éfeso. O Senhor lhes diz: “Tens, porém isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu aborreço” (Apoc. 2:6). Entretanto, em Pérgamo temos mais do que as obras dos nicolaítas; temos uma doutrina, e a igreja em vez de recusá-la, a tolerava. Em seu tempo, os santos de Éfeso aborreciam as obras dos nicolaítas, mas em Pérgamo a toleraram e não condenaram aqueles que seguiam esta doutrina.
Como devemos interpretar estes versículos? Achamos que a palavra nicolaítas é a única que temos para nos ajudar. Muitos têm realizado grandes esforços com a intenção de  demonstrar que existiu uma seita dos nicolaítas – um grupo religioso chamado por esse nome – mas a maioria dos autores concordam que essa hipótese é muito improvável. Ainda que houvesse existido tal seita, é difícil entender porque deveria haver nestas epístolas profética, semelhante e repetida menção enfática de uma seita obscura, acerca da qual não se possa dizer pouco ou nada. O Senhor adverte solene e poderosamente: “a qual eu aborreço”. Ela deve ter especial importância (importância vista do lado negativo) para Ele, e também deve ser significativa na história da igreja, ainda que possa ser pouco compreendida. Igualmente, a escritura não nos remete a história da igreja, nem a nenhuma outra história, para que interpretemos seus significados. A palavra de Deus é seu próprio interprete através do Espírito Santo e não temos que buscar outras fontes para descobrir o que está ali. Do contrário, a interpretação da escritura dependeria de homens eruditos que buscam respostas para aqueles que não tem os mesmos recursos ou aptidões, as quais, forçosamente, haveriam de ser aceitas sobre a base de sua autoridade somente!
Ao longo das escrituras, o significado dos nomes é importante, e o significado de NICOLAÍTA é chamativo e instrutivo. Como suposição para aqueles que falavam grego, o significado lhes traria um resultado claro. Significa SUBJUGADOR DO POVO.  A última parte da palavra (Laos) é a palavra grega que designa o “povo” e nosso termo de uso comum “leigo” deriva dela. Assim, pois, os nicolaítas foram pessoas que estiveram submetendo ou reprimindo os leigos – a massa do povo cristão – para indevidamente tornarem-se senhores sobre eles.
O que faz que isto seja mais claro ainda, é que em Pérgamo temos também aqueles que seguiam a doutrina de Balaão; um nome que, cuja semelhança no tocante ao significado, tem sido observado com frequência. Balaão é uma palavra hebraica que significa destruidor do povo, um significado muito importante em vista de sua história. Balaão “ensinava a Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem” (Apoc. 2:14). Com este propósito instigou a Israel a misturar-se com as nações, das quais Deus os havia separado com muito cuidado. O desdobramento dessa necessária separação significou a destruição de Israel, enquanto a mistura prevaleceu. De igual modo, a igreja é chamada a sair do mundo, e é sumamente fácil aplicar o tipo divino neste caso, assim, a estreita relação destes nomes (Balaão e nicolaítas), ajuda a confirmar o significado anterior de nicolaíta.
Observemos o desenrolar do nicolaísmo.  No principio só certas pessoas adotaram uma posição de superioridade sobre o povo. Suas obras demonstram o que eram. Ainda não havia doutrina na carta à igreja de Éfeso, porém uma doutrina se estabeleceu em Pérgamo. Agora o lugar de liderança é assumido para ser deles por direito. A doutrina – o ensino sobre isto – é aceita ao menos por alguns, e a igreja ficou indiferente ante esta situação. Que aconteceu entre as obras dos nicolaítas e a doutrina? Surgiu um partido ao qual o Senhor faz referência, como daqueles que dizem que são judeus e não são, mas que na verdade eram “sinagoga de Satanás”, o esforço demasiado, mas, bem sucedido de Satanás de judaizar a igreja, e de fazer que a igreja fosse como o judaísmo do Velho Testamento.
O judaísmo foi um sistema probatório; um sistema de prova, para ver se o homem podia produzir uma justiça que agradasse a Deus. O resultado obtido nesta prova está nestas palavras de Deus: “Não há justo, nem um sequer” (Rom. 3:10). Só então, Deus pode manifestar sua graça. Enquanto estivesse submetendo o homem à prova, Deus não podia abrir o caminho a sua própria presença, e justificar[1] o pecador. Ele teve que manter o homem afastado durante a duração da prova, para que sobre aquele fundamento (as obras dos homens), ninguém pudesse ver a Deus e viver. Entretanto, a essência natural da igreja é que todos são bem-vindos. Há uma porta aberta e um acesso direto a Deus. O sangue do Senhor Jesus habilita cada pecador, a aproximar-se de Deus e a encontrar justificação por Ele. Ver a Deus no Senhor Jesus é viver e não morrer. Por isso aqueles que o têm encontrado pelo caminho do sangue, que fala de paz, são considerados aptos e convidados para tomar um lugar distinto com todos os demais, porque agora eles são seus, são filhos do Pai e membros do Senhor Jesus Cristo, membros do seu corpo. Essa é a verdadeira igreja, um corpo chamado a sair fora, separando-se do mundo (Leia I Cor. 12 e Efésios 1: 22e23).
Por outro lado, o judaísmo incluía somente os judeus e nenhum gentio podia tomar um lugar com Deus; e por outra parte, mesmo a separação entre judeus piedosos e não piedosos era praticamente, impossível. Assim, sendo, o judaísmo foi uma necessidade prevista por Deus, mas restaurar novamente o judaísmo depois que Deus lhe colocou um fim, não tinha mais sentido. Pois o judaísmo foi usado com muito êxito por Satanás, contra o evangelho de Deus e sua igreja. Deus denominou a estes judaizantes de a “sinagoga de Satanás”.
Agora podemos entender porque quando o verdadeiro caráter da igreja foi perdido de vista, quando o significado de “membro da igreja” chegou a ser pessoas batizadas com água em lugar de ser pessoas batizadas com o Espírito Santo; quando o batismo com água e com o Espírito Santo foram considerados a mesma coisa (e isto chegou a ser aceito como doutrina muito cedo na história da igreja), a sinagoga judaica foi, na prática, estabelecida novamente. Cada vez ficou sendo mais difícil falar de cristãos convictos, que houvessem feito a paz com Deus e que foram salvos. Eles esperavam sê-lo, e os sacramentos e as ordenanças chegaram a ser os meios da graça, para assegurar, no possível, uma salvação ainda muito distante.
Veremos como isto contribuiu para a doutrina dos nicolaítas. À medida que a igreja chegou a ser uma “sinagoga”, os cristãos vieram a ser, na prática, o que foram os judeus na antiguidade, quando não havia de forma alguma, nenhuma aproximação real de Deus, inclusive o Sumo Sacerdote que, (como tipo do Senhor Jesus Cristo) entrava uma vez por ano no Santo dos Santos, tinha que cobrir o propiciatório com uma nuvem de incenso para não morrer. Os sacerdotes comuns só podiam entrar no Lugar Santo exterior, e os demais nem sequer ali podiam entrar. Tudo isto estava expressamente designado como um testemunho da sua condição espiritual. Era a consequência de seu fracasso espiritual em vista do mandamento dado por Deus a eles em Êxodo 19: 5 e 6: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha; e vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo”.
Assim, pois, foi oferecida por Deus a Israel, condicionalmente, uma possibilidade igual, de acesso íntimo a Deus. Todos eles haveriam de serem sacerdotes. Mas isto foi revogado porquanto quebraram o pacto. Então, os membros de uma família especial (Levi) foram postos como sacerdotes e o resto do povo foi colocado em segundo plano. Desta forma, um sacerdócio separado e intermediário caracterizou o judaísmo. Não havia nenhum trabalho evangelistico, nenhuma saída ao mundo, nenhuma provisão, nenhuma ordem para pregar a lei em absoluto. Com efeito, que poderiam dizer? Que Deus estava em densa escuridão e que ninguém podia vê-lo e viver. Isto não era boas novas. Assim, a ausência do evangelismo e a presença do sacerdócio intermediário[2] contavam a mesma triste história.
Tal era o judaísmo. Quão diferente é a igreja! Assim que a morte do Senhor Jesus Cristo rasgou o véu (entre o lugar santo e o santo dos santos) (Mat. 27:51),  e abriu o caminho até a presença de Deus, então, de imediato, houve evangelho, e a nova ordem foi: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura” (Mar. 16:15). Deus agora deseja ser conhecido no mundo inteiro.
A intermediação sacerdotal terminou pelo fato que todos os cristãos agora são sacerdotes para Deus. O que foi oferecido a Israel condicionalmente é agora um fato incondicional e consumado para a igreja. Nós somos um reino de sacerdotes; e  é Pedro (apontado pelos homens como a cabeça do ritualismo) quem anuncia as duas coisas que destroem por completo o ritualismo. Primeiro, ele nos diz que somos “nascidos de novo”, não por batismo, mas “pela palavra de Deus que vive e permanece para sempre”. Segundo, em lugar de uma camada de sacerdotes, ele diz a todos os cristãos: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (I Pe. 1:23 e 2:5). Hoje nosso louvor e ação de graças, e ainda nossas vidas e nossos corpos, tudo deve ser sacrifício espiritual para Deus (Heb. 13:15, 16; Rom. 12:1). Esta deve ser a verdadeira obra sacerdotal de nossa parte, e só deste modo, conseguiremos fazer que nossas vidas adquirem seu caráter próprio. Estes sacrifícios constituem-se no serviço de ofertas de gratidão, daqueles que são capacitados para aproximarem-se de Deus.
No judaísmo – permitem-me repeti-lo – ninguém realmente se aproximava de Deus. Assim, pois, sempre que encontramos uma classe sacerdotal, isto significa a mesma coisa para a massa de pessoas hoje, é o mesmo que dizer: Deus está fora, que há distância e obscuridade.


O significado de um Clero

Vamos ver agora o que significa um clero. É uma palavra que indica uma classe especial de pessoas, distinguidas dos “leigos”, por haver se entregado a coisas espirituais e por terem um lugar de privilégio em relação com as coisas sagradas, que os leigos não têm. Atualmente, esta classe especial está em expansão. Ela atingiu o clímax neste dias em que vivemos. Nunca até então, o clero foi tão expansivo como nestes dias. Porém, que significado tem esta classe especial? Sendo distinta dos leigos e gozando de privilégios que estes não gozam, constituem um aberto e real nicolaítismo, [3] a menos que a escritura avalize suas pretensões, posto que os leigos tenham sido submetidos a eles! Mas a escritura não utiliza tais termos e distinções de classe, nem os aplica ao nosso tempo, do Novo Testamento. Estes termos, “clérigos” e “leigos”, são pura invenção humana, que tem surgido depois que o novo testamento foi completado, ainda que na realidade, o conceito que está por traz deste termo, foi de fato importado do judaísmo do velho testamento.
Devemos observar o importante principio que está em jogo, para entender porque o Senhor Jesus disse que aborrece as obras dos nicolaítas. Nós também, se estamos em comunhão com nosso Senhor, devemos aborrecer também o que Ele aborrece.
Eu não estou falando de pessoas (e Deus não o permite), estou falando de uma coisa. Hoje estamos no final de uma larga série de distanciamento de Deus. Como conseqüência, aceitamos entre muitas coisas, aquelas que têm chegado até nós com a “tradição dos anciãos”, trazidas por homens a quem honramos e amamos, e, admitindo sua autoridade, temos aceitado estas tradições sem haver jamais analisado a questão por nossa conta própria, a luz da palavra de Deus.
Sinceramente, reconhecemos muitos destes homens como verdadeiros servos de Deus, porém ocupando uma posição errada. Estou me referindo à posição; àquilo que o Senhor aborrece. Deus não diz: “as pessoas que eu aborreço”. Ainda naqueles dias esta classe do mal não era hereditária, como é agora, e aqueles que espalhavam o mal, tinham sua própria responsabilidade; por outro lado, nós não deveríamos envergonhar, nem temer estar onde o Senhor está. De fato, não podemos estar com Ele neste assunto, a menos que nós também aborreçamos as obras dos nicolaítas.
Devemos aborrecer estas coisas, porque significa uma camada ou classe espiritual – um grupo de pessoas que oficialmente tem um direito a direção em coisas espirituais, uma aproximação de Deus baseada numa posição oficial, e não de poder espiritual -, Isto é realmente um ressurgimento, debaixo de outros nomes, e com modificações, do sacerdócio intermediário do judaísmo. Este é o significado do clero. Portanto, o resto dos cristãos, são só os leigos, a classe inferior, relegada, em maior ou menor medida a antiga distância de Deus, à qual a cruz pôs um fim.
Agora podemos ver a razão porque a igreja tinha que ser judaizada, antes que as obras dos nicolaítas pudessem tornar-se em uma doutrina. Debaixo do judaísmo, o Senhor até havia autorizado a obediência a escribas e fariseus que se sentavam na cadeira de Moisés (Mat. 23: 2 e 3); e para que este texto pudesse ser aplicado agora, era preciso estabelecer ou erguer na igreja, a cadeira de Moisés. Uma vez que isto teve lugar, e que a massa de cristãos fora rebaixada do sacerdócio do qual falou Pedro, a meros “membros leigos”, a doutrina dos nicolaítas foi estabelecida.

O Ministério Cristão

Que não seja mal interpretado. Não coloco em dúvida a instituição divina do ministério cristão, visto que o ministério cristão é característico da igreja, e se creio que todos os verdadeiros cristãos são obreiros, não questiono um ministério especial e distinto da palavra, como sendo dado por Deus a alguns e não a todos, mas para o benefício de todos. Ninguém que seja verdadeiramente ensinado por Deus pode negar que alguns cristãos tenham dons de evangelistas, pastores ou mestres. A escritura ensina que todo verdadeiro ministério é um dom de Cristo, que Ele mesmo deu a igreja, como expressão do seu cuidado como cabeça da igreja, e que é para seu povo, e que o lugar que ocupam no corpo, foi dado por Deus, e que eles são responsáveis em seu caráter de obreiros, diante de Deus somente. O miserável sistema clérico-leigo destituiu o obreiro de Deus deste lugar bendito e fez dele pouco mais que um objeto e servidor dos homens. Uma vez que lhe outorga um lugar de senhorio sobre o povo, que satisfaz a sua mente carnal (a velha natureza), este sistema restringe o homem espiritual, ao gerar nele uma consciência artificial para os homens (tal como o conselho de igrejas, etc.), e cega a sua consciência, fazendo-lhe pensar que está agindo de forma correta diante de Deus.
Permita-me por uns instantes, demonstrar qual é a doutrina das escrituras sobre o “ministério”. È muito simples. A verdadeira igreja de Deus é o corpo de Cristo; todos os membros são os membros de Cristo. Nas escrituras não existe outra distinção de membros além desta: a de membros do corpo de Cristo, a qual pertence todos os verdadeiros cristãos; não muitos corpos de Cristo, mas, um só corpo (Efe. 4:4); não muitas igrejas, mas, uma só igreja.
Há um lugar diferente para cada membro no corpo, pelo fato que ele ou ela são membros do corpo. Todos não podem ser os olhos, os ouvidos, etc., porém, todos eles são necessários, e todos servem de alguma forma, uns aos outros. Assim, pois, cada membro tem seu lugar, não só em uma determinada localidade, e para o benefício uns dos outros, como também, para o benefício do corpo inteiro.  
Cada membro tem um dom “porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, seja segundo a graça que nos é dada: se for profecia, seja ela segundo a medida da fé” (Rom. 12: 4-6); Leia também I Cor. 12: 7-11; Efe. 4: 7; e I Pe 4:10, passagens que também demonstram que cada cristão possui um dom.
Em I Coríntios 12, Paulo fala em detalhe destes dons e os chama por um nome significativo no verso 7: “manifestação do Espírito”. Eles são dons do Espírito e, também, manifestações do Espírito. Eles se manifestam a si mesmos ali onde se encontram, onde há discernimento espiritual por pessoas que estão muito perto de Deus, em comunhão íntima com Ele. Por exemplo, tomemos o evangelho.  De onde provém seu poder e autoridade? É de alguma aprovação humana, ou é de seu próprio poder inerente? Infelizmente, a tentativa comum de engrandecer o mensageiro, apaga a palavra, em lugar de acrescentar poder. A palavra de Deus deve ser recebida, simplesmente, por ser sua palavra. Ela tem a capacidade de satisfazer as necessidades do coração e da consciência, porque são as boas novas de Deus; e Deus conhece perfeitamente qual é a necessidade do homem, e, em consequência disto, tem feito provisão para ele. Todo aquele que tem sentido o poder do evangelho, sabe de quem tem vindo este poder. A obra e o testemunho do Espírito Santo na alma, não necessitam de nenhum testemunho humano como complemento.
A defesa do Senhor em qualquer circunstância foi a verdade. Ele disse: “E se vos digo a verdade, porque não me credes?” (Jo. 8:46). Quando Ele falava na sinagoga judaica ou em qualquer outro lugar, aos olhos dos homens era somente um pobre filho do carpinteiro, descredenciado pelas escolas ou por alguns grupos de homens. Todo o peso da autoridade humana estava contra Ele. Ele inclusive recusou receber testemunho dos homens.
Somente a palavra de Deus tem a autoridade de falar por Deus. “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (Jo. 7:16). E, como Ele foi aprovado? Pelo fato de sempre dizer a verdade, porque Ele é a verdade. Ele fez conhecer a verdade àqueles que o buscavam, disse Ele: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se falo de mim mesmo” (Jo. 7:17). Em João capítulos 7 e 8, o Senhor está lhes dizendo: “Eu vos digo a verdade que de Deus tenho ouvido”. E se esta é a verdade, e se procurais fazer a vontade de Deus, aprendereis pela mesma verdade a reconhecê-la. Deus não manterá ninguém na ignorância e obscuridade se procurarem fazer a sua vontade. Permitiria Deus que os corações sinceros fossem defraudados pelos muitos enganos que estão ao derredor? É certo que não! Ele faz conhecer a sua voz a todos os que o buscam.  O Senhor Jesus disse a Pilatos: “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo. 18:37). “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem”, e outra vez: “Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” (Jo. 10: 27, e 5).
A verdade é de uma natureza tal que a desonramos se tratamos de homologá-la apenas para aqueles que são sinceros, como se ela não fosse capaz de evidenciar-se a si mesma. Inclusive, Deus mesmo é desonrado nisto; é como se Ele não fosse suficiente para as almas, ou até mesmo para o fim, para o qual Ele deu a verdade. Não, o apóstolo fala da “manifestação da verdade”, diz ele: “E assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (II Cor. 4:2).  O Senhor disse que o mundo está condenado, porque “a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más” (Jo. 3:19). Não havia nenhuma falta da sua evidência. A luz estava ali, e os homens reconheceram seu poder para sua própria condenação, quando intentaram escapar dela.
Da mesma forma, no caso do dom. “A manifestação do Espírito”; e ela “é dada a cada um para o que for útil” (I Cor. 12:7). Pelo simples fato do homem possuí-la, ele é responsável pelo seu uso, responsável diante Dele, que não lhe deu em vão. A capacidade e o título para “servir” estão no dom, portanto, sou responsável para ajudar e para servir com o que recebi. Se outros recebem ajuda, eles não necessitam perguntar se tenho autorização para ajudá-los.
Este é o caráter simples do ministério, servir por amor conforme a capacidade que Deus dá; serviço mutuo de uns para os outros e para todos, sem distinção ou exclusão de quem quer que seja. Cada dom é adicionado ao tesouro comum e todos são enriquecidos. A bênção de Deus e a manifestação do Espírito é toda autorização requerida. Todos não são mestres, mas nisto se aplica, exatamente, o mesmo principio. No entanto, o ensino é que há uma diversidade de serviço para Deus, serviço que é feito por uns e por outros , de acordo com a esfera do seu ministério.
Não existia, por acaso, nenhuma classe ordenada (designada) na igreja primitiva? Isso é uma coisa totalmente distinta, pois a ocasião a exigiu. Havia duas classes de oficiais que eram regularmente designados e ordenados. Os Diáconos, ou servidores tinham a seu cargo os fundos para os pobres e para outros propósitos; e eram escolhidos pelos santos para este posto de confiança, e imediatamente nomeados pelos apóstolos para o serviço escolhido, ou por aqueles autorizados pelos apóstolos para fazê-lo. Os anciãos eram a segunda classe de homens – homens idosos, como indica a palavra – que foram eleitos nas igrejas locais, unicamente, pelos apóstolos ou seus delegados (Atos 14:23; Tito 1:5), como bispos ou supervisores, para cuidarem do estado espiritual da igreja. Os anciãos eram os mesmos bispos, como deduzimos claramente das palavras de Paulo aos anciãos de Éfeso (Atos 20:17, 28), quando os exortava, dizendo: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”. O mesmo também podemos encontrar em Tito 1: 5, 7: “ por esta causa te deixei em Creta, para que ... de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como te mandei. Porque convém que o bispo (superintendente) seja irrepreensível ...”.
O trabalho de um ancião era vigiar e superintender ou supervisionar a igreja, e ainda ser “apto para ensinar” (I Tim. 3:2), qualidade que era muito requerida, tendo em vista que os erros já eram grandes. O ato de ensinar corretamente, não era algo limitado àqueles que eram “maridos de uma só mulher e que tivessem seus filhos em sujeição com toda modéstia”, etc. (Tito 1: 6-9; I Tim. 3). Esta foi uma exigência necessária para alguém que iria ser ancião (ou bispo). “Se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” (I Tim. 1:5).
Quaisquer que tenham sido os dons que tiveram os anciãos, eles os utilizavam da mesma maneira que todos os demais faziam. O apóstolo Paulo ordena o seguinte: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (I Tim. 5:17). Contudo, entendemos, claramente, que eles poderiam governar bem, sem ocupar-se em trabalhar na palavra e no ensino.
O significado de sua ordenação ou nomeação era somente este: Trata-se aqui de uma questão de autoridade, não de dom. Foi uma questão de título, para examinar com freqüência assuntos difíceis e delicados entre as pessoas que não estavam dispostos a submeter-se a palavra de Deus.  A distribuição de “dom”, entretanto, era uma questão totalmente diferente.

Ministério versos Clericalismo


Nosso árduo dever agora é contrastar esta doutrina das escrituras, com os sistemas, nos quais uma classe definida está, formalmente, consagrada para as coisas espirituais, enquanto que os leigos estão excluídos da dita posição.  O verdadeiro nicolaísmo é: A sujeição do povo.
O ministério, na palavra de Deus é real e completamente legítimo, e são para todos  aqueles que possuem dons e responsabilidades especiais (mas não exclusivamente) para ministrá-la. Porém, o sacerdócio é totalmente diferente do ministério, para ser reconhecido onde seja reivindicado, ou já exista. Os crentes, quase que em geral, rejeitam todo poder sacerdotal em seus ministros. Não tenho nenhum desejo de questionar sua honestidade neste assunto. Eles querem dizer com isto, que seus ministros não têm nenhum poder autoritário de absolvição[4], e que eles não fazem da mesa do Senhor, um altar em que se renova dia após dia (como na missa católica romana), a perfeição do sacrifício único e suficiente de Cristo, negada por inumeráveis repetições. Eles têm razões com respeito a ambas as coisas, mas esta não é a história completa. Se olharmos mais profundamente, veremos que há um caráter sacerdotal de muitas outras maneiras.
Podemos distinguir sacerdócio e ministério da seguinte maneira: O ministério é para os homens, enquanto que o sacerdócio é para Deus. O que ministra traz a mensagem de Deus ao povo, falando da parte de Deus, a eles. O sacerdote, por sua vez, dirige a Deus da parte do povo, falando em sentido contrário, fala da parte do povo a Deus.
                        O louvor e as ações de graças são sacrifícios espirituais. Eles são de nossa parte sacrifícios oferecidos como sacerdotes. Agora coloque uma classe especial em um lugar, onde só eles, de forma regular e oficial, atuem dando louvores e ações de graças, e, virá a ser um sacerdócio intermediário, mediadores entre Deus e aqueles que não estão tão perto Dele.
A Ceia do Senhor é a mais completa e proeminente expressão pública da adoração e ação de graça cristã; mas, qual ministro evangélico ou pastor denominacional, não considera como seu direito e dever ministrá-la? A maioria dos leigos se absteria de administrá-la. Este é um dos terríveis males do sistema, pelo qual as massas de pessoas cristãs são deste modo secularizadas (feitas mundanas). Ocupadas com coisas mundanas, pensam que não chegarão a serem espirituais como os clérigos. Deste modo, as massas de pessoas são substituídas das ocupações espirituais, para as quais creem não possuir as mesmas condições do clero.
Todavia isto vai mais além. “Porque os lábios do sacerdote guardarão a ciência” (Malaquias 2:7). Mas, como pode o leigo (que chegou a tal posição, por ter abandonado seu sacerdócio voluntariamente) ter a sabedoria pertencente a uma classe sacerdotal? A falta de espiritualidade, a qual eles desprezaram, os impede de conhecer as coisas espirituais. Assim, só a classe ocupada nas coisas espirituais tem condições de interpretar a palavra de Deus. Desta maneira, o clero vem a ser olhos, ouvidos e boca espiritual dos leigos.
De qualquer forma, esta organização é necessária e conveniente para a maioria das pessoas. O “clericalismo” começou, simplesmente, por que uma classe de homens queria um lugar de direção, queria assumir a liderança. Esta miserável e antibíblica distinção entre clero e leigos não teria ocorrido nunca, tão rápida e universalmente, se não estivesse bem adaptada ao gosto daqueles que foram afastados e rebaixados. No cristianismo, como em Israel, a profecia se cumpriu “os profetas profetizaram falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja?” (Jer. 5:31).  Ao sobrevir uma decadência espiritual, alguém que voltando ao mundo, troca de boa vontade, como Esaú, sua primogenitura espiritual, por uma mistura de sopa mundana. Transfere com satisfação seus deveres de cuidar das coisas espirituais, a aqueles que aceitam esta responsabilidade.
Uma vez que a igreja perdeu seu primeiro amor e o mundo começou a introduzir-se através das portas desprotegidas, chegou a ser mais difícil para os cristãos tomar o bendito lugar que lhes pertencia. Cada passo descendente tornava-se mais fácil os passos subsequentes, até que em menos de 300 anos desde o começo da igreja, um sacerdócio judio e uma religião ritualista foi praticada em quase todas as partes. Somente os nomes das coisas preciosas do cristianismo foram deixados.  A realidade dos privilégios especiais e cada cristão individualmente havia desaparecido.

Ordenação

   Quero notar com mais detalhe um traço característico do clericalismo. Já fizemos notar a confusão entre o ministério e o sacerdócio; a arrogância de um nome oficial, não bíblico, para as coisas espirituais, para dirigir a Ceia do Senhor e para batizar, etc. Agora trataremos da ênfase dada por este perverso sistema à ordenação (isto é, nomeação ou reconhecimento oficial).
  Primeiramente, desejamos que saibais o que significa ordenação. Se consultarmos o Novo testamento, não encontraremos nada acerca de uma ordenação para pregar ou ensinar. Encontraremos pessoas que faziam este serviço livremente, usando um dom que receberam. A igreja inteira foi dispersa para fora de Jerusalém (exceto os apóstolos), e estas pessoas foram por toda a parte pregando a palavra. As perseguições não às ordenaram. Não há nenhum vestígio de outra coisa. Timóteo recebeu um dom, por profecia, pela imposição das mãos de Paulo, e das mãos do presbitério ( I Tim. 4:14; II Tim. 1:6); porém, aquilo era a comunicação de um dom, e não uma autorização de uso. A Timóteo, então, é ordenado que ele confie ou transmita a homens fiéis, e que fossem também idôneos para também ensinar a outros (II Tim. 2:2), mas não há nenhuma palavra acerca de ordená-los. O caso de Paulo e Barnabé em Antioquia (Atos 13:1-4), não serve como apoio, para o propósito com que alguns pretende usá-lo, porque  (da maneira como o querem usar) profetas e mestres estariam obrigados  a ordenar até  mesmo ao apóstolo Paulo, que recusou totalmente ser apóstolo “da parte dos homens, nem por homem algum” (Gal. 1:1).  No entanto, o Espírito Santo disse: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13:2). Trata-se aqui, simplesmente, de uma missão especial que eles cumpriram (Atos 14:26). Devemos chamar a atenção do leitor para este fato importante. Esta chamada não foi em caráter vitalícia, pois o mesmo Espírito Santo afirma no verso citado acima, que “eles cumpriram”, terminaram o serviço para o qual foram convocados. É por isso que no capítulo 15:40, temos uma nova comissão, agora Paulo é recomendado em companhia de Silas, o que desfaz completamente o sistema vigente, nestes dias de trevas espirituais.
Que significa ordenação nos círculos religiosos da atualidade? Você pode estar seguro, que significa muito; do contrário, os homens não contenderiam com tanto zelo por isto.  Há duas formas de ordenação. A primeira forma, mais extrema - como a dos católicos romanos e os ritualistas – a ordenação confere a atribuição de conceder poder e autoridade espiritual. Os lideres da igreja arrogam-se de terem todo o poder dos apóstolos, e a faculdade de fornecer o Espírito Santo mediante a imposição das mãos. Deste modo, a maioria do povo de Deus é descartada do sacerdócio que Ele mesmo lhes outorgou, e uma classe especial é colocada em seu lugar, para interpor-se por eles, de uma maneira que anula o resultado da obra do Senhor Jesus Cristo e os ata a igreja, como o único meio de achar graça.
Aqueles que aceitam uma forma mais moderada de ordenação rechaçam direta e consistentemente essas pretensões ante cristãs. Eles não pretendem conferir nenhum dom na ordenação, só reconhecem o dom que Deus tem dado. Entretanto, este “reconhecimento” é considerado necessário, antes que a pessoa possa batizar ou participar da Ceia do Senhor, e coisas que não requerem nenhum dom especial em absoluto. Então! Quanto ao ministério, o dom de Deus estaria sujeito a requerer a aprovação humana, e será “reconhecido” em nome do  povo, por aqueles a quem atribuem possuir um “discernimento” que os cristãos leigos não possuem.
Cegos ou não, estes mesmos homens ordenados – o clero – vem a ser os “guias dos cegos”, uma vez que seus próprios corações são tirados do lugar de direta responsabilidade diante de Deus e feitos indevidamente, responsáveis ante os homens. Uma consciência artificial é infundida neles, da parte daqueles que os ordenaram e lhes são constantemente, impostas condições as quais tem que ajustar, a fim de obter o reconhecimento requerido. Inclusive estes pastores ou ministros, frequentemente, estão debaixo do controle dos seus ordenadores, no que respeita ao serviço prestado.
Em principio, tudo isto é infidelidade a Deus, porque se Deus me tem dado um dom com a finalidade que o dom seja usado par Ele, certamente, eu seria infiel, se socorresse a alguma pessoa  ou a um grupo de pessoas, com a objetivo de solicitar permissão para usá-lo. O dom em si mesmo me fornece condições para seu uso, como temos visto. Se eles dizem que as pessoas podem cometer erros, estou de acordo, mas, quem assumirá minha responsabilidade, se eu estiver equivocado? Igualmente, os erros cometidos por um “corpo ordenante” ou “presbitério” são muito mais graves que os de um indivíduo que simplesmente erra, sem haver sido enviado pelos homens, porque os erros do corpo ordenante são declarados sagrados e se prolongam no tempo, por causa da ordenação conferida. Se a pessoa ordenada sustentasse a si mesma, por seus próprios méritos, encontraria rapidamente seu verdadeiro lugar; porém, o corpo ordenante investiu nele um caráter que dever ser mantido. Equivocado ou não, ele é agora, nada mais nem menos que  um membro do corpo clerical, um ministro, ainda que não tenha nada que ministrar. Ele deve ser mantido - deve ter sua igreja – por mais que esta se encontre numa localidade sem nenhuma importância, onde as pessoas – amadas por Deus – são postas debaixo dos seus cuidados e devem permanecer famintas, se ele não é capaz de alimentá-las[5].
Que não seja acusado de sarcástico. O sistema anterior é um fiel retrato do sistema do qual estou falando, sistema que submerge o corpo de Cristo em cegueira espiritual, impedindo a livre circulação do sangue vivificante do ministério, que deveria estar fluindo de forma irrestrita através de todo o corpo. Aqueles que ordenam na atualidade devem provar que são bons apóstolos ou homens designados pelos apóstolos, porque segundo as escrituras, ninguém, além deles, teria autoridade  para ordenação (Atos 14:23; Tito 1:5). Ao mesmo tempo, devem provar que o “ancião” segundo as escrituras, não precisa ser ancião (velho, experimentado), mas um jovem, uma pessoa solteira, que apenas saiu de sua adolescência, e que é evangelista, pastor e mestre (todos os dons envoltos numa só pessoa).. Este é o obreiro segundo o sistema: O tudo em todos para 50 ou 500 almas confiadas a ele como seu rebanho, no qual ninguém tem o direito de interferir. Seguramente, a marca do nicolaísmo está colocada sobre um sistema como este.
Ainda quando o ministro está espiritualmente dotado (muitos estão, assim como, muitos outros não estão) é improvável que possua todos os dons espirituais. Imaginemos que ele seja um evangelista e que almas se salvem, entretanto, ele pode não ser um mestre, e assim, ser incapaz de edificá-las na verdade. Pode ser que também tenha o dom dado por Deus de mestre, e seja enviado a um lugar onde existam apenas uns poucos cristãos e muitos dentre eles não são convertidos. Não há conversões, mas ele continua ali, por causa do sistema para o qual está trabalhando, mantendo afastado (em diversos graus), o evangelista que seria a grande necessidade deste lugar. Agradecemos a Deus, porque Ele está sempre derrotando estes sistemas, e fazendo provisão para as necessidades dos seus, suprindo-as de forma incompreensível. As provisões feitas pelos homens, não são conforme o plano de Deus, e dividem o seu povo em vez de uni-los.
O sistema é o único responsável por tudo isto. O ministério exclusivo de um só homem, ou de um número específico de homens numa igreja, não tem suporte na escritura. A ordenação e o esforço para limitar todo o ministério a certa classe, apoiam apenas na autorização humana e não no dom divino. E assim, é negado aos demais membros do corpo – o rebanho de Cristo – a capacidade outorgada por Deus, para ouvirem sua voz e depois transmiti-la. O resultado disto é que se dá ao homem à atenção que deveria ser dada a palavra que ele trás. A pergunta predominante é: Está recomendado? A verdade relativa ao que ele fala, com frequência, é secundária se ele está ordenado; ou quem sabe, diria eu, sua ortodoxia (sua retidão doutrinal) está estabelecida já de antemão para eles, pelo fato de ser ordenado.
O apóstolo Paulo não foi autorizado a ministrar segundo este plano. Havia apóstolos antes dele, mas ele não subiu a eles e nem recebeu nada deles. Se houvesse havido uma secessão, ele a cortou. Paulo, a propósito, fez o que fez para mostrar que seu evangelho não era segundo os homens, e nem por homem algum (Gal. 1:1), e que não descansava sobre a autoridade humana. “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema (Gal. 1:8, 9).
Autoridade que não seja conferida pela palavra de Deus, não vale nada. A prova é simples: É isto conforme as escrituras? “Pode, porventura, um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?” (Luc. 6:39). Dizer: “eu não pude conhecer, confiei em outro” não o salvará do poço do inferno (o inferno para os inconversos, a pobreza espiritual e a perda da comunhão para os salvos), independente de quanta autoridade pretendeu ter, o obreiro que lhe guiou ao erro.
Mas, como pode pretender o não espiritual e não instruído leigo, ter um conhecimento igual ao do educado e acreditado obreiro, dedicado as coisas espirituais? Em geral, não pode. Em vez de dedicar por si e para si ao estudo da palavra de Deus, usando o poder do Espírito Santo que habita nele para o aprendizado das coisas espirituais (Jo. 14: 26), ele se submete a aquele que, segundo se supõe, deve saber mais e melhor do que ele[6]. Assim, pois, na prática o ensino do obreiro ou pastor rebaixa, principalmente, a autoridade da palavra de Deus.
Entretanto, ele não tem certeza quanto à verdade ministrada. O leigo não pode esconder de si mesmo o fato de que há discórdia entre os próprios obreiros mesmos, por mais doutos, bons e acreditados que sejam. Contudo, aqui o diabo intervém e sugere as pessoas ingênua que a confusão é o resultado da imprecisão das escrituras, quando na realidade é o resultado da falta de submissão e obediência as escrituras.
Opinião, falta de fé existe em toda parte. Você tem o direito de ter a sua opinião, mas deve conceder aos outros o direito a terem a sua própria. Você pode dizer “eu creio”, embora você não queira dizer “eu sei”. Reclamar “conhecimento” seria o mesmo que dizer que você é mais sábio e melhor que as gerações precedentes, as que creram de forma diferente.
A infidelidade (incredulidade) consegue prosperar desta maneira, e Satanás se regozija quando consegue que os pensamentos de muitos vibrantes comentaristas substituam a simples e segura “voz divina”. O que necessitamos é da espada do Espírito, que é a palavra de Deus (Efe. 6:17). Você crê, “que o que disse João Calvino”, ou “Martinho Lutero”, ou ainda qualquer outro homem, o capacitará a resistir Satanás, como o “Assim diz o Senhor?” Quem pode negar que tais pensamentos e práticas estão em todas as partes e não estão apenas restringidas ao catolicismo romano e ritualista? A tendência constante é a de desviar-se do Deus vivente, ainda que Ele esteja tão próximo dos seus hoje em dia, como nunca esteve antes, na história da igreja. Inclusive, Ele é tão capaz de instruir hoje, como sempre e está disposto a cumprir a sua palavra: “Se alguém quiser fazer a vontade Dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus” (Jo. 7:17). Os olhos da fé são os olhos do coração (do afeto por Deus), não os olhos da cabeça. Deus tem ocultado dos sábios e entendidos o que revela as criancinhas. A escola de Deus está num nível mais elevado, superior, do que todos os seminários juntos, e nesta divina escola leigos e clérigos são iguais: “mas o que é espiritual discerne tudo” (I Cor. 2:15), pois tudo depende da condição espiritual, individual. Não há substituto para espiritualidade.  O homem não pode gerar a espiritualidade em outra pessoa mediante a ordenação, nem mediante nenhum outro meio. Ordenação em sua forma mais moderada é o esforço do homem para conceber a manifestação do Espírito Santo. Mas, se aqueles que ordenam cometem erros (isto prova que eles mesmos não são espirituais, e por isso, incapazes de julgar) e seus obreiros não tem nada que ver com a obra de Deus, eles simplesmente prova com isto, que são cegos guiando cegos.

Sucessão

Em continuação devo falara de sucessão. Uma ordenação que pretende vir da ordenação dos apóstolos deve ser, se quisermos ter consistência, sucessória. Quem pode conferir autoridade (e nas teorias mais moderadas da ordenação, a autoridade é dada, pelo menos para batizar e dirigir a Ceia do Senhor), se não for alguém comissionado para isto? Portanto, você deve ter uma cadeia de homens ordenados que se sucedem uns aos outros.
Agora vejamos os resultados. A ordenação, deste modo, está separada tanto da espiritualidade, como da verdade. Um sacerdote católico, ainda que seja inconverso, e esteja completamente envolto na tradição romana em vez de estar envolvido na palavra, pode ser ordenado como qualquer outro; e, é certo que a maior parte deste sistema cléricos-leigos que está ao redor de nós, veio através da sujeira de Roma. Debaixo da ordenação e da sucessão, a impiedade e a impureza não impede a missão para Cristo e o mestre de falsas doutrinas pode ser seu mensageiro, tanto quanto o ensinador da verdade.
A possessão da verdade, junto com o dom para ministrá-la, combinados com a piedade, não faz parte das dos requisitos obrigatórios e essenciais do obreiro, ou pastor, ou sacerdote destes sistemas. Um homem pode ter todas as qualificações de Deus e não ser admitido como obreiro, porque não está recomendado por nenhuma denominação; ao passo que ele pode não ter nenhuma qualificação de Deus, e ser chamado, recebido como pastor ou obreiro, simplesmente, porque foi recomendado ou ordenado.
Quem pode dar crédito a tal ensino? Pode Deus, que é a verdade, aprovar o erro? O justo será injusto? Impossível! Este sistema transgride todo principio de moralidade e endurece a consciência daqueles que tem alguma parte nele, - como isto agrada a Satanás, e como ele deseja que crêssemos nisto – porque  haveríamos de ter cuidado pela verdade, se Deus não é a verdade, e como poderia Deus enviar mensageiros aqueles que não deseja que crêem? Debaixo deste sistema a prova dada pelo Senhor mesmo no que diz respeito a um verdadeiro testemunho, não é aplicável; pois, disse Ele: “Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça” (João 7:18). Inclusive, fracassou a sua própria prova de credibilidade, pois Ele mesmo disse: “Se vos digo a verdade, porque não credes?” (Jo. 8:46), era seu descontentamento, em face desta situação. A verdade deve ser estabelecida em tudo, ou então aquilo que fazemos ou propomos fazer, não é de Deus.
Deus, que previu e anunciou o fracasso da igreja (a qual deveria ter sido um brilhante testemunho da verdade e de sua graça), não ordenou uma secessão de mestres nela, para aqueles que levaram avante sua missão, ignorando o fracasso dela. Antes que os apóstolos morressem, a casa de Deus já se havia convertido em “uma grande casa”, e foi necessário que os piedosos se separassem dos “vasos de desonra” que havia nela (II Tim. 2:20-22). Aquele que ordenou ao apóstolo que instruísse a Timóteo “a seguir a justiça, a fé, ao amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam ao Senhor” (II Tim. 2:22), sob nenhum conceito, ou principio, nos poderia ordenar agora, que ouvíssemos a homens que estão a favor de tudo isto. Por essa razão, em II Timóteo não há, como em I Timóteo, nenhuma referência a anciãos e nem  mesmo a homens ordenados[7].
Agora necessitamos de homens fiéis, não para serem ordenados, mas para serem fiéis depositários da verdade confiada a Timóteo: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (II Tim. 2:2).

                                              Discussão e Sumario                    

 Deste modo, a santa palavra de Deus sempre é encomendada ao mesmo coração e a consciência. O esforço em querer dar sua aprovação ao sacerdócio romano ou a hierarquia das denominações fracassa em ambos os casos, por estar sobre o terreno do nicolaísmo. O nicolaísmo não é coisa do passado, não é uma doutrina obscura de épocas passadas, mas, sim, um gigantesco e difundido sistema de erros, produzindo resultados maléficos. O erro, ainda que mortal, pode perdurar muito tempo. Não vás atrás dele, por causa da sua antiguidade e muito menos porque todo o mundo o segue. O Senhor aborrece este perverso sistema clerical. Se o Senhor o aborrece, deveríamos nós sentir medo de ter comunhão com Ele neste assunto? Devemos todos reconhecer que há bons homens envolvidos neste sistema: homens piedosos e verdadeiros obreiros, que levam sem saber o emblema dos homens.  Que Deus os livre! Que eles possam deitar fora estas ataduras e serem livres! Que possam elevar-se a verdadeira dignidade do seu chamamento e serem responsáveis diante de Deus, caminhando diante Dele, somente!
Por outro lado, amados irmãos, é de grande importância que todos os integrantes do seu povo, por diferente que seja o lugar que ocupem no corpo de Cristo, estejam conscientes, de que todos eles são obreiros, assim como sacerdotes, sem exceção. Cada cristão tem deveres espirituais que emanam de suas relações espirituais, com todos os demais cristãos. É privilégio de cada cristão contribuir com sua participação no tesouro comum dos dons espirituais, com os quais o Senhor Jesus Cristo dotou a sua igreja. Um que não contribui no ministério está deixando de cumprir com sua obrigação com toda a família de Deus. Qualquer membro que possua, ainda que seja, um pequeno talento, não tem direito a escondê-lo e sim de investi-lo. Tal ação (ocultá-lo) é infidelidade e incredulidade.
“Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35). Irmãos, quando se despertará em nós a realidade destas palavras? Temos uma inesgotável fonte de regozijo, a qual é para nossa benção, e se virmos a ela quando tivermos sede, rios de água viva correriam de nós. A fonte de água viva (a palavra) não está limitada para aquele que a recebe, pela quantidade que recebe dela. Ela é divina, e ao mesmo tempo, completamente nossa. Oh! Conhecer mais desta plenitude e da grande responsabilidade em possuí-la, num mundo espiritualmente seco e cansado! Oh! Conhecer melhor a infinita graça que nos utiliza como o meio de passá-la até aos homens! Quando estaremos em condições de entender nossa comum posição e a doce realidade da verdadeira comunhão com Ele, que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mat. 20:28)?  Oh! Por um ministério não oficial; que corações plenos jorrem dentro dos corações vazios, para que muitos outros possam também encher-se. Como deveríamos nos regozijar – num mundo de necessidade, miséria e pecado – pelo fato de encontrar constantes oportunidades, para mostrar a capacidade da plenitude do Senhor Jesus Cristo, para combater e ministrar a cada uma das necessidades do mundo.
Para resumir, podemos, pois, afirmar que o ministério oficial é independência prática do Espírito de Deus. Diz-se que um homem deve abster-se, ainda que esteja vazio, e, por outro lado, que não deve abster-se, ainda que esteja cheio. Propõe-se, ante a presença do Espírito Santo – que veio na ausência do Senhor Jesus Cristo, para ser o Consolador do seu povo – assegurar a ordem e o  fortalecimento da igreja, mediante legislação, em vez de fazê-lo, mediante poder espiritual. Fazem com que o rebanho do Senhor Jesus Cristo deixe de ouvir a sua voz, oferecendo algo desnecessário e sem valor, para ele. Deste modo, sancionam e perpetuam o indivíduo na falsa espiritualidade, em vez de condená-la e evitá-la.
O método que Deus usa para o tratamento da falta de espiritualidade, tornará, exteriormente, mais evidente o fracasso humano, pois Deus não tem interesse numa aparência exterior correta, quando na verdade, o coração não é reto para com Ele. Deus sabe que a habilidade para guardar uma correta aparência, com frequência impede o juízo honesto, diante Dele, da verdadeira condição espiritual. Os homens teriam repreendido a Pedro por sua tentativa de andar por sobre as ondas (Mat.14:24-33), o que evidenciou a pequenez da sua fé. Entretanto, o Senhor somente reprovou a pequenez da fé, que o fez fracassar. O homem haveria de propor um barco para o fracasso de Pedro, em lugar do poder, do cuidado do Senhor, cuidado que o fez provar a Pedro. De qualquer maneira, vento e ondas podem afundar o barco, mas “o Senhor nas alturas é mais poderoso do que o ruído das grandes águas e do que as grandes ondas do mar” (Sal. 93:4). Ao largo destes séculos do fracasso humano, poderá alguém provar que Deus seja infiel? Amados estais convictos que é completamente seguro confiar no Deus vivente? Se assim é, então deixemos Deus trabalhar, por mais que possamos admitir que temos fracassado. Que a nossa vida, na verdade, seja o reflexo da nossa confiança em Deus.
                                                                                                                                               F. W. Grant




NOTA BIOGRÁFICA


Frederick W. Grant  nasceu em Londres, Inglaterra, em Julho de 1834, e conheceu a Cristo  ainda  muito jovem. Em 1855 mudou para o Canadá, aonde chegou a ser ministro da igreja da Inglaterra.

Enquanto estava no Canadá, Grant leu literaturas dos chamados “Irmãos”, o que o motivou a estudar a bíblia com mais intensidade. Como resultado descobriu que sua posição eclesiástica era errônea, o que o levou a resignar seu pastorado e a abandonar o denominacionalismo. Seu passo seguinte foi reunir-se com os irmãos.

O que foi que produziu esta significativa mudança de rumo no irmão Grant? Primeiro, ele viu na bíblia que a pessoa do Senhor Jesus Cristo é o único e verdadeiro centro de reunião para os cristãos, e não alguma crença, uma doutrina, uma organização humana ou um determinado nome. Em segundo lugar ele viu também, que Deus reconhece uma só igreja, da qual cada cristão é um membro, e que Deus estabeleceu princípios bem definidos que indicam um caminho comum, no qual todos os cristãos devem andar em relação com a igreja, caminho que não é seguido pelas denominações. A terceira coisa que viu foi que o líder, o guia, e o dirigente da verdadeira igreja é o Espírito Santo, que habita nela, e não um “oficial” ou um “corpo de oficiais” ordenados por homens, e que, assim  como todos os cristãos são sacerdotes diante de Deus,eles não necessitam que estes “ministros humanamente nomeados” estejam entre eles e Deus.   

Empregou o resto de sua vida para ensinar esta e muitas outras verdades maravilhosas das escrituras.  Escreveu numerosos livros e tratados, que apresentam de maneira fiel e metódica a pessoa do Senhor Jesus Cristo e sua santa palavra a seus leitores.

Grant foi um dos primeiros mestres da bíblia em discernir a numerologia das escrituras. Talvez seja mais conhecido precisamente por sua obra de sete volumes, “a Bíblia numérica” a qual abrange todo o novo testamento e grande parte do velho. Este trabalho inclui uma tradução muito literal das escrituras feita por ele mesmo, e uma completa exposição desta de um ponto de vista numérico.

Partiu para a presença do Senhor, em 25 de Julho de 1902, depois de uma intensa vida de trabalho, aos 68 anos de idade.


[1]Nota.- Justificar significa considerar o homem como se ele nunca houvesse pecado. O homem pode perdoar e esquecer, mas, só Deus pode justificar sobre a base da obra redentora do Senhor Jesus na cruz, onde Ele pagou plenamente o preço exigido pela culpa dos nossos pecados. Desta forma é que Deus vê os cristãos no Senhor Jesus Cristo.

[2] Nota - Um sacerdote é um intermediário que se interpõe entre o povo  “comum” e Deus. Um sacerdote tem acesso a Deus. Visto que todos os cristãos são sacerdotes, todos nós temos acesso direto a Deus. Entre os cristãos, não existe gente “comum”, não existe os leigos.


[3] N do T, português. Gostaria de chamar a atenção do leitor para outro nome que foi acrescido nestes últimos dias. Refiro-me ao título “Obreiro de tempo integral” que tem apenas vocábulos diferentes, mas que na verdade expressa a mesma coisa. A introdução desta classe com este nome, visa tão somente desviar a atenção do leitor daquilo que é praticado nos outros sistemas religiosos, dando a impressão de que não estamos sobre o mesmo terreno.  Este ato foi pior do que aquele e começou com a fundação de várias entidades assistenciais com a finalidade de suprir esta nova classe criada. Conclamamos o leitor sincero a examinar a sua bíblia e procurar por tais instituições e por tal nome. O que vemos aqui é uma atitude ridícula e inconveniente da parte daqueles que pertencem a tal classe, procurando assim condenar os demais, estando debaixo da mesma condenação. O novo testamento também não reconhece os obreiros de tempo integral, e a razão disto é que a expressão em si mesma é uma farsa e uma mentira. Tais obreiros não existem. O homem ocupa-se muito mais consigo, do que com as coisas de Deus, então como podem ser integrais?
Nota[4] Absolvição significa “libertar a alguém das consequências de seus pecados ou perdão de pecados ou culpa”. Na teologia católica romana significa “Remissão de pecados, e da pena devida ao pecado, a qual o sacerdote, sobre a base da autoridade recebida (que eles reclamam) de Cristo, faz o sacramento da penitência” (American College Dictionary).
[5] Nota – por outro lado, debaixo do sistema em discussão, muitos ministros estão a mercê de suas congregações. A congregação primeiro decide se ela necessita do obreiro. Tal ministro satisfaz a eles? Então, tão logo é contratado (algumas vezes em termos legais e comerciais), e ensina falsa doutrina  de maneira que alguns não concordam e queixam, então a igreja faz um plebiscito para ver se o conserva ou o dispensa. Ele poderá ser ou não mantido, isto dependerá da condição espiritual daqueles que decidirão pelo voto. Entretanto, outro ministro pode também falar de maneira demasiado clara, e pode assim ofender pessoas que não querem escutar acerca do pecado, do juízo, e do inferno, nem sobre suas responsabilidades como crentes. Neste caso, também, o ministro pode ser colocado fora do seu emprego, se assim decidirem seus empregadores. Ambos os conceitos, o de “pastor de uma igreja” e o da eleição eclesiástica sobre assuntos espirituais são completamente alheios ao novo testamento.
[6] Nota - Pense na seguinte matemática: uma semana tem 168 horas. Em média, as coisas relacionadas com o trabalho secular somam 40 horas. Você pode dormir 60 horas. 20 horas por semana você pode dedicar a família, para não dizer que não faz caso dela.Sobram ainda 48 horas disponíveis por semana, as quais você e eu poderíamos dedicá-las as coisas do Senhor. Há também horas de descanso, de almoço, de recreio, de transporte, etc. que poderíamos, assim mesmo, aproveitar de alguma forma  para o Senhor. Estas 48 horas da semana elevam-se a 2 496 horas ao ano, e toda esta quantidade de tempo, com oração e coma  ajuda do Senhor, não serviria para apreender muitíssimo das escrituras e ser útil para o Senhor? Em geral, quanto mais conhecemos das coisas do Senhor, mais úteis seremos para os outros, por tanto, não é uma questão de tempo, mas, sim, de desejo, de propósito e de coração.
[7] Nota - O que aconteceu entre o período transcorrido entre as epístolas a Timóteo, para produzir esta mudança? II Timóteo 1:15 nos responde: “Bem sabes isto, que todos os que estão na  Ásia todos se apartaram de mim”. Esta é a primeira grande divisão que teve lugar  entre o povo do Senhor. Eles não se apartaram de Paulo, do homem, mas daquilo que ele defendia com firmeza: As verdades da igreja, que lhe foram entregues e as  verdades referentes a ordem que deveriam ser guardadas pela igreja de Deus (1.ª Timóteo 3:15). Portanto, inspirado pelo Espírito Santo, Paulo escreveu II Timóteo com a finalidade de instruir aqueles que não se apartaram dele, para que soubessem como atuar debaixo da nova condição de “divisão”, que iria imperar desde então (leia-se também II Tim. 4:10, 16).

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