UM RETORNO AOS PRIMEIROS PRINCÍPIOS. SETE RAZÕES
A Palavra de Deus me ensina que devo ser capaz de dar a razão da esperança que há em mim com mansidão e temor — e é o que pretendo fazer, com a ajuda do Senhor. As conclusões a que cheguei são o resultado de muita perscrutação interior, reflexão profunda e oração.
Quando um servo de Deus abandona uma casa gratuita e um salário, e sai sem nada tomar dos gentios, confiando somente em Deus para o seu sustento e de sua família, sem ganhar nenhuma promoção eclesiástica ou prestigio, você conclui que ele tem convicções sérias e está consciente do que está fazendo.
A minha decisão baseou-se nesta pergunta: A posição que ocupo está de acordo com as Escrituras? Diante desta pergunta, de joelhos e na presença de Deus, a luta foi enfrentada e a vitória conquistada. A questão provavelmente foi um pouco acelerada por causa da crescente apostasia, como uma neblina obscura que está caindo rapidamente sobre o Cristianismo. De cada lado podemos ver desvios da fé. Hoje cada doutrina fundamental da Bíblia ou é negada ou é duvidada. Por um tempo eu permaneci do lado de dentro e protestei, assim como muitos homens dedicados estão fazendo nas denominações. Mas finalmente concluí que o meu lugar deveria ser do lado de fora. Pois enquanto permanecia dentro eu era parte da massa corrupta do Cristianismo, a qual piora a cada dia, e sobre a qual paira um juízo iminente.
Portanto, em obediência à Sua Palavra, tenho saído a Ele fora do arraial (Hebreus 13:13), confiando somente nEle para todas as coisas, após passar dezoito anos no ministério da Igreja Batista, na qual há muitos homens e mulheres, queridos de Deus, a quem eu amo no Senhor Jesus.
Nenhum deles pode dizer que eu alguma vez pedi-lhes que deixassem sua denominação e seguissem-me. E nem farei tal pedido mesmo desejando muito vê-los andando de acordo com os ensinos da palavra de Deus.
Somente peço que a pessoa que sinceramente estiver buscando a verdade leia cuidadosamente este pequeno livro, orando a respeito deste assunto e comparando o ensino nele contido com as referências bíblicas citadas, pois foi escrito visando somente o mais alto e melhor proveito espiritual.
A minha oração por todo o povo de Deus é para que cada um seja libertado do legalismo, da tradição e do mundanismo, e seja capaz de ver a obediência às Escrituras, a simplicidade e a beleza que há em reunir somente ao precioso Nome do Senhor Jesus Cristo. Somente retomando aos primeiros princípios pode haver uma unidade dada por Deus entre o Seu povo. Se em qualquer medida eu for usado para ajudar a alguém neste sentido ficarei muito agradecido. A Ele seja toda a glória, assim agora, como no dia eterno... Amém (II Pe. 3:18).
Consideremos algumas das coisas que pertencem à posição eclesiástica, a qual abandonei, e vejamos se elas estão em harmonia com os preceitos e exemplos do Novo Testamento. Os homens podem argumentar, deduzir e chegar a certas conclusões, e nós deveríamos fazer de tal atitude a nossa única regra de decisão em tudo que pertence à fé e à doutrina — A Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva (Is. 8:20).
Deixemos de lado toda ideia preconcebida, e cheguemos em simples fé à Palavra de Deus. Que a nossa mente esteja aberta (com sinceridade), pronta para receber tudo que provém de Deus, ensinando-nos pelo Seu Espírito, quer seja contrário às crenças que antes tínhamos sobre os ensinos das Escrituras, quer não. Qualquer cristão honesto admitirá que é deste modo que devemos sempre aproximar- nos da Palavra de Deus. Tendo isto em mente, consideremos a pergunta: “A posição que eu ocupava estava de acordo com as Escrituras?”. A fim de decidir esta questão, teremos que levantar várias outras perguntas, e ao respondê-las a questão ficará decidida. Eu concluí que a posição que eu ocupava não correspondia aos ensinos das Escrituras, pelas seguintes razões:
1. Porque um nome denominacional não é bíblico e deveria ser rejeitado por todo o cristão.
2. Porque o propósito pelo qual o povo de Deus reunia nos dias dos apóstolos não é observado em obediência ás Escrituras e a Palavra de Deus também não é obedecida.
3. Porque a ordem de Deus para a adoração foi substituída por programas e inovações humanas.
4. Porque um ministério liderado por um homem é contrário à mente do Espírito de Deus, e atrapalha a Sua operação.
5. Porque um título “Reverendo” é um atributo divino. E uma arrogante pretensão qualquer homem reivindicar tal título.
6. Porque o método moderno de financiar o trabalho do Senhor não é o Seu método, e desonra o Seu Nome.
7. Porque a apostasia do Cristianismo em caráter e destino é tal que Deus está dizendo. Sai dela, povo meu (Ap. 18:4).
O Nome
Um nome denominacional não é bíblico e deveria ser rejeitado por todo cristão. É certo usar um nome denominacional como Presbiteriano, Batista, Metodista, Congregacional, e assim por diante? Teria sido em vão percorrer as ruas de Jerusalém, Antioquia, ou qualquer outra cidade nos dias apostólicos procurando uma Igreja com qualquer desses nomes numa placa de identificação Até mesmo os nomes mais recentes como: Pentecostal, Nazarenos, Adventista do Sétimo Dia, Ciência Cristã, Estudantes da Bíblia, Santos dos Últimos Dias, e muitos outros geraria uma procura vã. Mas porquê enumerá-los? Seus nomes são uma legião!
Nos dias dos apóstolos havia os judeus, os gregos e a igreja de Deus (I Cor. 10:32). Todos que estavam em comunhão naquela igreja eram conhecidos como santos, salvos, filhos de Deus, cristãos, etc. Eles levavam somente o Nome de Cristo e estavam satisfeitos com este Nome. De fato, lemos que se regozijavam de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus (At. 5:41). Considerando que deixei denominações, poderão perguntar-me: “a qual você pertence agora?” Minha resposta é: “somente a Cristo”. Se me perguntarem onde participo e adoro, respondo: “com crentes em Cristo que reúnem ao Seu Nome, de acordo com a simplicidade do Novo Testamento”.
É claro que o Cristianismo insistirá em dar algum apelido a todos que rejeitam nomes e sistemas humanos. Mas quando lembramos que o nosso Senhor recebeu dos lideres religiosos daqueles dias o pior opróbrio possível — foi chamado até de Belzebu certamente podemos suportar qualquer apelido com que os homens, na sua ignorância, refiram-se a nós. Se alguém, por ignorância ou por maldade persistir em apelidar minha esposa, ela própria não terá culpa nenhuma. Mas se ela ajuntasse aquele apelido ao meu nome, insistindo em usá-lo e até orgulhando-se dele, enquanto eu a amava, protegia e cuidava dela, se eu ficasse por isso entristecido e ofendido, ela teria culpa. O que pensa o nosso Senhor de nós, e será que o Seu coração não está entristecido com esta prática antibíblica? Você pode ficar indiferente ante esta questão, mas eu afirmo que é uma questão de grande importância. O Senhor Jeová requer uma grande dignidade para o Seu Nome e para o uso que se faz d'Ele — Ele tem ciúmes do Seu Nome. Ele não quer que nós tenhamos qualquer nome de origem humana.
John Bunyan — que os Batistas reivindicam como fundador — foi lançado na prisão de Belford, porque ele não participava na Igreja Paroquiana, e nem usava o livro de oração. Ele recusou nomes de seitas. Veja o que ele escreveu em 1672, o ano em que saiu da prisão:
“Já que desejais saber por qual nome eu devo ser diferenciado dos outros, eu vos digo que serei conhecido (e espero) como um “cristão”; e espero que Deus me julgue digno de ser chamado um cristão, um salvo, ou outro nome que seja aprovado pelo Espírito Santo. E quanto aos títulos como Anabatistas, Independentes, Presbiterianos, e outros mais, concluo que não provém nem de Jerusalém e nem de Antioquia, mas do inferno ou de Babilônia”.
Estas palavras não são minhas — se fossem você poderia chamar-me de intolerante e sem amor. São as palavras do sonhador imortal. Meditando nelas, somente podemos perguntar a qual denominação ele pertencia se estivesse vivo hoje.
Martin Luther King — Criticado em muitas partes — tinha muitos pontos recomendáveis. Veja aqui o seu protesto contra o uso do seu nome como um título de seita:
“Em primeiro lugar, rogo-vos que deixeis o meu nome em paz, e não vos chameis Luteranos, mas cristãos. Quem é Luther? A doutrina que anuncio não é minha. Eu não fui crucificado por nenhum de vós. O apóstolo Paulo exortou-nos que ninguém deveria chamar-se de Paulo, ou de Pedro, mas somente de Cristo. Como, então, cabe a mim, um miserável saco de pó de cinzas, dar o meu nome aos filhos de Deus? Cessai, caros amigos de prender-vos a esses nomes e distinções partidários; lançai-os fora ; chamemo-nos somente de cristão, por causa dAquele de Quem provém a nossa doutrina”.
Não somente nomes de homens, mas também títulos provenientes de países, ordens, costumes, e tudo mais deveriam ser rigidamente rejeitados, e somente Aquele Nome digno reconhecido. Como seria diferente hoje se esta regra fosse obedecida desde o tempo em que foi sugerida! (I Cor. 1:12-14; 3:3-7).
Quase cada uma das denominações no Cristianismo leva o nome da pessoa que a fundou, ou uma das doutrinas marcantes. Isto não está de acordo com a vontade de Cristo, que rogou ao Pai para que sejam um (Jo. 17:11). Aceitar somente o Seu Nome e recusar qualquer outro, certamente seria um passo na direção da unidade que Ele tanto deseja. Por que a Igreja, a Noiva, a Esposa do Cordeiro (Ef. 5:32; Ap.l9:7), desejaria ser conhecida por outro nome que não seja o Seu?
O povo de Israel recebeu ordens para adorar somente no lugar que Jeová escolhesse para ali por o Seu Nome (Dt. 12:5). O Senhor Jesus confirmou o mesmo princípio ao dizer: Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai estou no meio deles (Mt. 18:20) Debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos (At.4:12). Os apóstolos e discípulos primitivos confessaram este Nome; anunciaram este Nome; sofreram e morreram por causa deste Nome um Nome que é sobre todo o nome (Fp. 2:9). Prezado filho de Deus rejeite qualquer nome que as Escrituras não apoiam. Que benção é poder cantar verdadeiramente, “Somente Cristo satisfaz, Não quero outro nome pra mim; Acho amor, vida, gozo, e paz, Meu Senhor Jesus Cristo, em Ti”.
A Maneira de se Reunir
O propósito pelo qual o povo de Deus reunia nos dias dos apóstolos não é observado em obediência às Escrituras, e a Palavra de Deus também não é obedecida. Na noite em que o Senhor foi traído Ele instituiu a Ceia — uma festa de recordação — e ordenou que os discípulos fizessem aquilo. E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo que e partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim (I Cor. 11:24-25).
Será que os cristãos daqueles primeiros anos reuniam-se no dia do Senhor meramente para orar e ouvir alguém pregar um sermão? Os termos empregados no Novo Testamento deixam claro que eles reuniam-se para partir o pão e beber do cálice em memória do seu Senhor ausente, que prometera voltar. Este era o principal propósito do seu ajuntamento, mesmo que o ministério da Palavra e adoração estivessem incluídos. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão e no partir do pão, e nas orações (At. 2:42). E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo que havia de partir no dia seguinte, falava com eles (At. 20.7).
Note que eles não se reuniram para ouvir Paulo ensinar, ainda que fosse um grande privilégio... mas para partir o pão! Foi para este fim que eles ajuntaram-se, como o texto prova claramente. Se naqueles dias o propósito era este, não deveria ser o nosso hoje também?
Esta era a prática da igreja primitiva. Em obediência ao pedido amoroso do Senhor próximo a sua partida, eles reuniam-se no primeiro dia da semana para lembrar dEle. Obviamente sempre queremos lembrar de pessoas amadas que estão ausentes de nós; gostamos de olhar uma foto ou objeto que nos faz lembrar de tais pessoas. O verdadeiro cristão deveria, no primeiro dia da semana, no simples procedimento apostólico, reunir-se para anunciar a morte do Senhor até que Ele venha (1 Cor. 11:26).
Não era um pregador, nem um púlpito que ocupava o lugar de maior destaque nas reuniões do povo de Deus naqueles dias, mas uma mesa na qual estavam os emblemas (o pão e o cálice com vinho). Aqueles primeiros cristãos estavam reunidos a Cristo (Mt. 18:20). Ele era o imã que atraia seus corações, e por Ele ficavam cativados e satisfeitos. A beleza daquele método de reunião era a sua simplicidade. Nenhuma rotina fixa, nem adornos de homens; nenhum serviço do altar, nem vestes sacerdotais; nenhum coral vestido de roupas especiais, nem execução de música organizada e atraente para cair no gosto do povo e agradar ao ouvido — havia somente o Espírito Santo na adoração daquele povo reunido. Ele era suficiente... Ele dirigia os seus corações a Cristo e, na beleza da Sua Santidade, adoravam o Senhor. Aquela adoração era em espírito e em verdade (Jo. 4:24). Era uma adoração bela que honrava a Deus, porque Ele mesmo dirigia tudo.
A vanglória da carne não tinha nenhum lugar naquelas reuniões. Ninguém mais era visto, tão somente Jesus (Mtl7:8). Um ensinador bem conhecido e talentoso nos Estados Unidos escreveu a respeito disso:
“Onde está Cristo quando o Seu povo se reúne. Ele está ali, onde disse que estaria: “no meio”. Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai, estou Eu no meio deles (Mt. 18:20).
Não é onde se reunirem dois ou três, mas sim onde estiverem dois ou três reunidos. Os homens podem reunir-se na vontade e no poder da carne ao redor de qualquer padrão que quiserem, mas o Espírito Santo é que reúne os santos, e Ele os reúne à Pessoa do Cristo ressurreto e exaltado. Se o ajuntamento dos santos for de acordo com a Sua vontade, então será segundo o padrão. Em espírito estamos reunidos em volta de Cristo, e estamos com Ele no santuário celestial.
Que testemunho esplêndido e fiel da verdade! Posso apenas, no entanto, desejar que homens tão instruídos na Palavra, como este citado acima, tomem mais um passo e pratiquem esta linda verdade, reunindo simplesmente ao Seu Nome e Pessoa, para observar a ceia e adorar na Sua presença, separados de qualquer programa ou ordem de serviço criada por homens.
Nos dias apostólicos, quando o povo de Deus reunia-se com o fim de adorar, Cristo era o centro e atração das suas almas. O Seu amor atraíra os seus corações zelosos a Si. Ao redor dEle aqueles primeiros cristãos ajuntavam-se, porque Ele dissera: Fazei isto em memória de mim (Lc. 22:19).
Doce festa de amor divino,
Pela graça temos vitória
Para cear do pão e vinho
Senhor Jesus, em Tua memória.
A Adoração
A ordem de Deus para a adoração foi substituída por programas e inovações humanas Na hora de observar esta ceia, a cada semana, não era necessário ter um dirigente humano. Havia uma liberdade dada por Deus que não era limitada por nenhum homem posto numa posição de autoridade, Cristo era o Senhor na Sua própria Mesa, e exercitando Seu senhorio, através do Espírito Santo enviado do céu, guiava e controlava a adoração dos Seus convidados que estavam reunidos — “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (II Cor. 3:17)
O homem, apoiado por costumes antigos, supõe ou aceita como fato que é necessário um líder apontado pelos homens para controlar e dirigir a adoração do povo de Deus na Sua Igreja. Mas Deus diz: “os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor” (Is. 55:8). Busquemos aprender os pensamentos e caminhos de Deus da forma que foi do Seu agrado revelá-los a nós No capitulo 11 de I Coríntios, vemos a igreja reunida com o propósito de comer a ceia do Senhor (v. 20). O apóstolo esclarece o procedimento correto ao corrigir uma condição desordenada que existia ali naquele período. Neste trecho o apóstolo também ensina a necessidade de juízo próprio e discernimento espiritual para poder participar dignamente. Portanto, é necessário estar apto condicionalmente, como também posicionalmente.
No capitulo 12:27 lemos: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e individualmente, membros desse corpo”. O corpo humano é usado como ilustração. Note as verdades importantes aqui ensinadas:
1.Cada salvo foi batizado pelo Espírito Santo e feito parte deste único corpo (v. 13);
2. A posição que cada membro ocupava no corpo foi designada por Deus, não pela sabedoria ou juízo dos homens (v. 18);
3. Os vários dons dados à igreja são postos por Deus (v. 28);
4. Cada dom deve ser usado conforme o Espírito Santo dirigir (vs. 4- 11);
5. Nenhum dom, mesmo sendo muito útil, pode fazer o trabalho dos outros dons. Insistir em forçar um dom a fazer o trabalho de todos os outros dons enfraquecerá e extinguirá os dons de Deus. Os homens poderão então manufaturar outros dons conforme for necessário, de acordo com o desejo dos seus corações, como estão fazendo em nossos dias (vs. 15-17);
6. Cada membro do corpo, mesmo que seja fraco ou obscuro, é necessário, e deveria ser tratado com amor e simpática consideração (vs. 22-27);
7. Apesar de serem muitos membros, ó corpo é um só (vs. 12).
Nesta ordem divina, não existe nem cargo, nem clero. No capitulo 14:26-33, instruções claras são dadas sobre o exercício dos dons excluindo, sem a menor dúvida, a ideia de um ministério liderado por um só homem na igreja de Deus.
E o serviço das irmãs ou exercício de autoridade por elas, também não é permitido nesta esfera particular (1 Cor. 14:34-35; I Tm. 2:11-12) Entretanto, não devemos concluir que as mulheres não têm nenhum ministério para cumprir. Com o fim de estimular a mente nesta direção, chamo a atenção para o ministério de Dorcas (At. 9:39); da sogra de Pedro (Mt. 8:15) e de outras mulheres que serviam com suas fazendas (Lc. 8:2-3). A palavra ministro no N.T nunca repassa a ideia de dominação, ou que a fim de ministrar alguém precisa ser dominante ou superior. A palavra é aplicada aqueles que, abnegados, perseveram em humilde serviço conforme o Senhor dirige, não buscando o aplauso de homens, mas somente agradar e glorificar ao Senhor — “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Mc. 10:43-44). São as palavras pronunciadas pelo próprio Mestre.
De passagem, gostaria de chamar a sua atenção ao capitulo 13 de I Coríntios — o capítulo do amor — muito negligenciado na prática, e tão importante. O amor é o lubrificante divino no qual todas as engrenagens das atividades da igreja devem girar, para seus muitos dons serem exercitados. A falta deste elemento divino causou facções e falhas graves no passado. O quanto somos carentes de amor, hoje! Precisamos dele para ensinar, pregar, pastorear, admoestar os desordeiros, restaurar os ofendidos e desanimados, os quais certamente existem onde este elemento está faltando. Precisamos de amor para crer, esperar, suportar e sofrer, seja no lar, na igreja, no emprego ou em qualquer circunstância — é a maior das virtudes! O amor é eterno! Tenhamos sempre um amplo estoque disponível e façamos tudo debaixo do seu constrangimento (II Cor. 5:14; Ef. 4:15-16). O ministério do homem mais eloquente, ou do mais instruído nas Escrituras, sem amor, será como o metal que soa ou como o címbalo que retine (I Cor. 13:1). Sem amor ele é nada (vs.2) e nada que ele faça tem proveito (vs.3).
Uma leitura cuidadosa dos capítulos 12 e 14 de I Coríntios, mostra claramente que quando a igreja se reunia, não era com o propósito de ouvir alguém pregar (mesmo assim devemos receber com gratidão aquilo que Deus nos ensina pelo ministério daqueles que pregam); não é nem com o pensamento de receber bênçãos que o Seu povo reúne... mas tendo já sido abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares nas regiões celestiais em Cristo (Ef. 1:3). Eles se reúnem para oferecer (como sacerdotes) sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo (I Pe. 2:5); Eles vêm com meditação, gratidão, reverência, adoração, dando-Lhe a homenagem dos seus corações; Eles vêm como adoradores purificados, brancos com a neve, pelo Seu precioso sangue; Eles deixam suas ofertas aos pés dAquele que Se deu por eles, dizendo: Tudo vem de Ti e da Tua mão to damos (1 Cr. 29:14).
Em Êxodo 23:15 ouvimos Deus dizer ao Seu povo. A festa guardarás... ninguém apareça vazio perante mim. Quanto damos ao Senhor?
Então tomarás das primícias de todos os frutos da terra, que trouxeres da tua terra, que te dá o Senhor teu Deus, e as porás num cesto, e irás ao lugar que escolher o Senhor teu Deus, para ali fazer habitar o Seu Nome (Dt. 26:2).
Com corações transbordantes e cestos cheios para Ele deveríamos regozijar-nos na Sua presença e adorar.
Aqui descansamos em meditação,
Vendo os nossos pecados sobre Jesus;
E uma eterna e completa redenção,
Alcançada no sacrifício da cruz.
Ali, sem nuvem que intervenha, adoramos; mas não por procuração. A mediação de uma classe clerical ou de um sacerdote humano não existe na igreja. Cada salvo é sacerdote santo (1 Pe. 2:5).
Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, adoramos dentro do véu; não com medo, mas com um verdadeiro coração, em inteira certeza de fé (Hb. 10:19-25 ). Que privilégio! Que benção e satisfação para o filho de Deus! Não há lugar na terra mais doce para a minha alma, não há hora mais preciosa para o meu coração, nem tempo mais refrescante para o meu espírito do que o tempo que passo meditando sobre o Calvário em memória d'Ele.
Doce lugar de descanso da alma,
Que do pecado sente o terror,
Mas que conhece a profunda calma,
Da paz com Deus no seu interior!
Ó cordeiro de Deus, Tuas feridas,
Pelas cordas do divino amor,
A Ti atraíram nossas vidas
E uniram-nos a Ti, ó Senhor.
(Continua...)
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